quarta-feira, julho 26, 2006


A hora do Google está chegando ao fim!

O sistema de busca Google já não é tão popular entre os Nerd`s da internet. A metodologia de posicionamento dos links já não alcança com a mesma satisfação todos os clientes. Normalmente é melhor posicionado o link mais linkado, mas isso não quer dizer que seja o mais atual, ou muito menos o mais completo.

Nessa lacuna de satisfação deixada pela ferramenta, novos sistemas procuram, com o perdão do chavão, um lugar ao sol; ou melhor, um espaço de mais acessados do usuário.

Entre as novas estruturas, uma, entretanto, me chamou muito a atenção e ganhou um posto de destaque no meu FAVORITOS.

Sob o slogan “Who’s saying what. Right now.” ("Quem está falando o que. Agora"); o site Technorati (http://www.technorati.com/) se pretende a exibir ao usuário a informação de busca mais recente da net. E como comprova a foto ai do lado, o sistema de identificação de sites é ainda mais eficiente que o famoso Google. Por que?

O Peixe Fugido tinha seu último post publicado entre os primeiros sites trazidos pelo resultado da busca com a palavra “peixe fugido”. E olha que eu nem precisei mandar e-mails para eles, nem nada disso. O blog estava lá e pronto!

Que super ferramenta é essa?

A minha favorita.

quarta-feira, julho 19, 2006

O lixo (ou o luxo?) do capital


Você já pensou na possibilidade de algum dia acordarmos do grande sono e descobrirmos que não somos indivíduos, que não somos seres humano, mas apenas um produto ou uma personagem de um grande espetáculo, de um grande comercial de TV?

segunda-feira, julho 17, 2006

Devaneio presunçoso 3

Homem aí do lado.
Continuação.

“O corpo endireitava-se, os pés procuravam a firmeza do solo, mas o velho, naquele instante, era só uma criança que acordava do susto de se imaginar indo ao chão.”

Nos passos seguintes evitou pensar sobre o que acontecera. Caminhou firme, olhos fixos. Há muitos anos não se permitira sonhar daquela forma. Não acreditava em sonhos porquê não concordava em ver o mundo pelo álcool da ilusão. Não permitir que nada se colocasse entre seu entendimento e o mundo real lhe garantia a certeza de fazer o que era certo. A plena consciência sobre a vida à sua volta lhe garantiram a posição atual.

Orgulhou-se de não ter condenado uma vida à existência humana e enquanto o fez, amaldiçoou os pais, velhos a quem abandonou enquanto era ainda jovem.

Precisamente, lembrou-se, quando terminou o ensino básico. Aos 15 anos juntou o dinheiro que havia ganho trabalhando na rua e sem sorriso ou lágrimas despediu-se dos limitados progenitores. Não haveriam glórias e acenos para um moleque que deixava tudo para trás. Enquanto o ônibus deixava a cidade, o coração, descompassado, pulsou pelo orgulho que lhe inundavam as veias. Olhos se fecharam, quando retornaram a abrir só puderam distinguir o mato que se alastrava entre as cidades. Naquele exato segundo percebeu que a diferença entre o passado e o futuro estava no breve abrir e fechar das pálpebras. Jurou pelo orgulho que lhe aquecia as mãos não mais se preocupar pelo que foi feito. Olharia fixo no passo seguinte, preocuparia sempre no segundo próximo.

Ainda não era capaz de devagar sobre a vida, sobre o que representava, mas entendeu, plenamente, que estava ali sozinho, fazendo a sua parte. Como uma pequena peça da grande máquina endireitou as costas, repousou a palma das mãos sobre as coxas e fez, matematicamente, o que deveria fazer. Esperou.

quarta-feira, julho 12, 2006

Devaneio presunçoso 2


Desculpem a demora em atualizar o blog. Vi orgulhoso que mais uma leitora apareceu por aqui. Espero que goste da segunda parte do texto.

Se não leu a primeira, clique aqui.


Juro que vou atualizar mais o blog, juro.

Fico esperando a opinião de vocês.

Homem aí do lado.

Continuação.

“Saudoso, satisfez-se ao lembrar que ainda gostava de pássaros.”

E foi ao som de um desses que o sol invadiu seus olhos ao deixar a repartição onde trabalhava. Ao transpor a grande porta, orgulho de um prédio modernista, virou o pescoço para os dois lados e viu-se em meio a multidão.

As roupas gastas, o olhar caído não lhe rendiam atenção, nem precisava, era parte do todo. E como sonhara, nos velhos dias das rãs na janela, o menino do campo deixara os campos e atoleiros para embrenhar-se nas tumultuadas ruas da cidade grande.

Depois de tantos anos aprendera o gingado do andar quando se está ao lado de tanta gente; virava o ombro e se esquivava, parava de repente acompanhando o desejo inexplicável da vontade alheia. Entre trancos e solavancos alcançou a praça central.

Dentro daquelas grades o corpo perdia rigidez e ganhava doçura, caminhou leve, passos altos, deslizou entre os pequenos caminhos cercados de árvores com um toque feminino discreto, perceptível no contraste com as rugas e pelos faciais.

Naqueles breves instantes, quando a felicidade proporcionada pelo nostálgico ambiente provinciano lhe invadiu os sentidos, um pensamento libidinoso lhe acordou o corpo. Há muito não experimentava o gozo físico, mas o simples querer lhe desenhou um sorriso nos lábios carnudos. Ninguém jamais perceberia o velho que ali reconstruía tantos sentimentos para se sentir de novo vivo, mas o momento chamou a atenção do vento, que em brisa beijou-lhe os lábios e correu vergonhoso por entre as árvores.

De volta ao passeio exterior o corpo enrijeceu, as mãos tremularam enquanto o lábios fechavam-se, mais uma vez olhou o futuro óbvio nos próximos passos, renegando o passado, nem sua própria história não lhe pertencia.

Ninguém a sua volta chamava-lhe a atenção. O persistente pensamento beligerante entendia as pessoas como povo, parafusos e porcas partes de um sistema muito maior. Cada peça, explicava-se, poderia ser substituída quando estragada. Entre os infelizes pedaços do todo poderiam haver líderes, que eram também parte do próprio sistema. Presidentes e governadores poderiam orgulhar-se ao clamarem sua posição, a esses, sobrava o desdenho e nojo.

Enquanto enxergava o mundo nessa infinita fragmentação harmônica, confortava-se na idéia de ser parte de algo maior. Sem desviar os olhos, viu-se caminhando entre tantos, a origem ou conteúdo dos papéis na pasta que carregava não eram importantes, só a imagem do homem que ali seguia seu caminho consciente de sua função, desconhecedor de seu propósito.

Apesar dos olhos fixos, a consciência abandonou os opacos olhos verdes, e no instante do erro, os pés se confundiram no protocolo metódico do andar e o velho tropeçou. Culpou-se nervoso, mas a vergonha só foi maior quando um pedaço do passado esquecido ergueu-se à esfera da consciência deixando lugar para que um breve sorriso acompanhasse a lembrança da infância.

O corpo endireitava-se, os pés procuravam a firmeza do solo, mas o velho, naquele instante, era só uma criança que acordava do susto de se imaginar indo ao chão.

quarta-feira, junho 28, 2006

Homens são homens.


Banheiro masculino é o único lugar onde homem ainda pode ser homem. E isso explica o cheiro, o mijo no chão e os desenhos infantis nas paredes...

É tempo e hora

Um dia o Cristo revolucionário, da moderna sociedade, perguntou ao homem, “você tem fome de que?”. Sabia desde o princípio da formulação da frase, ainda em seus miolos, que a resposta não podia ser pão. E se fosse pão estava confirmada a certeza de que precisávamos urgentes desses revolucionários, o Cristo justificava sua existência e provara-se útil.

Preocupada com os insurgentes, a cultura massivadora ensinou a plebe a responder que sua fome agora era de conhecimento. Diante a nova resposta, o Cristo já não pode fazer mais nada, sua função era incitar, fazer querer, ensinar era tarefa dos professores, acadêmicos, conhecedores.

Sem os Cristos, pelejamos, na língua do matuto, tentando construir um país de fachadas, nomes e luzes. O burro e o ignorante aprenderam a repetir que sua fome é de conhecimento, que sua sede é por saber, mas como toda repetição, não há idéia, só palavras vagas que soam como coisa “de rico”, ou melhor, de “não pobre”.

Mas esses mesmos Zé das Cuais, João das Couves, Maria das Dores e tantos outros que se apertam nos ônibus lotados ainda precisam de incentivos, dos gritos revolucionários. Aprenderam a repetir o que deve ser dito, mas ainda vivem como coadjuvantes num país de palhaços e reis.

O povo precisa agora de palavras. Não me refiro, claro, de sons guturais esbravejados em palanques, amplificados por microfones e cores. O povo “precisamos” de cultura. Precisamos de mais do que ler e escrever, mais do que repetir, queremos, agora é entender.

Por muitos anos afastados do fluxo político nacional os Zés e Marias não devem mais ser simples financiadores da corrupção que assola o país. É hora de assistir, como colaboradores, o crescimento que orgulha os letrados e põe pão na mesa dos ignorantes, no termo academicamente vinculado.

É hora de resgatar os revolucionários, de direita e esquerda. É hora de criar o espaço de centro para que muitos outros pipoquem na vida social. Muitos deles já estão por ai, mas se sentem como que pregando num deserto. E esse terreno árido e inóspito é decorrência direta de décadas e décadas de "desinvestimentos" em educação e cultura. São mais de trinta anos de indigência cultural. São três décadas de progressiva destruição do ensino brasileiro, de destruição das escolas públicas, tanto de ensino fundamental como de ensino médio ou mesmo superior. E o que dizer das universidades privadas que proliferam? – privadas aqui empregado, entenda-me bem, no sentido de particulares, em oposição a públicas, e não no pertinente sentido de louça sanitária. E o resultado é esse quadro desolador que aí está: um povo “emburrecido” e adormecido. O povo brasileiro, relegado a mais absoluta indigência, segue faminto de palavra e pão.

É tempo de mudar, hora de votar.

sexta-feira, junho 23, 2006

Dessa vez vai!


Sou um apocalíptico. Acredito com a certeza, característica dos tolos, que irei assistir, ainda em vida, o fim de todas as coisas.

Não há religião, ciência ou novela nesse mundo que me prove o contrário. Sabe quando as pessoas dizem que tem certeza de algo? Quase como uma premonição, um sentimento de conhecer a verdade? Então, esse é o meu.

Esperei com expectativas que o mundo acabasse em 1999, afinal, todos se lembram do “De mil passarás, mas a dois mil não chegarás”. Apesar da famosa dobradinha 1999-2000, outras datas também foram anunciadas como o grande marco da humanidade, quer dizer, o marco final.

Desiludido vi começar 2001, e tava indo mau mesmo. Sem raios poderosos como a ira divina, nem ao menos tremores de terras como haviam prometido. Mas em setembro a comunidade apocalíptica se animou de novo. Nesse momento, puderam liberar toda a energia reprimida desde a mudança dos milênios. A bíblia, o corão, textos apocríficos, os ensinamentos buditas, as revistinhas do batman, todos explicavam “o grande pássaro colidindo com as montanhas construídas pela mão humana”. Mas não foi daquela vez.

Ainda esperançosos, sonhamos com o fim no desenrolar das guerras nos anos seguintes. Decepcionado, passei por 2002, 2003, 2004. Cheguei perto de achar que o mundo ficaria ai para sempre. Pelo jeito não.

O que está bombando nas rodas de discussão é o código bíblico. Vou explicar mais ou menos com funciona.

  1. Um cara, meio atoa pelo jeito, resolveu estudar mais afundo o Velho Testamento em sua versão original em hebraico. O que atraiu a atenção do pesquisador, foi a história que envolve os documentos. Grandes mentes da história humana como Issac Newton, acreditavam existir um código escondido entre as letras que compunham o texto.
  2. O bom estado de conservação dos textos permitiram aliado à computação permitiu avançar muito no sentido de entender os textos.
  3. Analisando o documento com a ajuda de um computador, verificou-se que a distância entre as letras ao longo de todo o texto seguiam um padrão matemático determinável. Alguns anos de pesquisa mais tarde, o modelo encontrado para se entender o suposto código foi a organização do texto como um cone. Ao observarem que algumas palavras iniciavam-se em uma extremidade do texto, dando continuidade na outra, resolveram unir essas extremidades formando um cilindro, no qual a primeira linha se une à segunda, a segunda à terceira, e assim continuamente, até alcançar a linha final.Com esse modelo, qualquer palavra que surgisse, poderia ser lida numa única seqüência.
  4. "A análise randômica indica que informações ocultas estão estremeadas no texto do Gênesis, sob a forma de seqüências alfabéticas eqüidistantes. O efeito é significativo em 99,998%. Observou-se, que quando o Livro do Gênesis é escrito como séries bidimensionais, seqüências alfabéticas eqüidistantes formando palavras com sentidos correlatos aparecem freqüentemente em estreita proximidade. Foram desenvolvidas ferramentas quantitativas para mensurar este fenômeno. A análise de randomização mostra que o efeito é significante ao nível de 0.00002"

De posse do “segredo” milenar, o tal cara atoa, começou a procurar por palavras-chave determinantes do processo histórico terrestre. Os resultados foram impressionantes, revelando momentos como as grandes guerras e avanços científicos marcantes na ciência.

Deixando todo esse lado burocrático de lado, entra a parte legal. O texto deixa previsões para o tempo futuro. Entre elas, estão que ainda em 2006, um grande terremoto destruirá a cidade de Los Angeles e que nesse mesmo ano, uma guerra nuclear mudará a forma como os homens vivem no planeta.

Até ai, tudo bem, pelo menos pra mim. Mais uma super e “verossímil” previsão do fim do mundo. Nada me deixa mais empolgado. Mas eu trago essa informação para vocês, não pela notícia em si, mesmo porquê sei que poucos como eu apreciam esse tipo de fatos. Essa informação fica bem legal com a leitura paralela da seguinte reportagem do Globo.com (http://oglobo.globo.com/online/ciencia/plantao/2006/06/21/284369318.asp). Como sei que poucos abriram o link, aqui está a chamada do texto “Cientista prevê grande terremoto próximo a Los Angeles”. O texto na verdade se refere a uma informação publica pela revista Nature, a mais famosa revista de divulgação científica do mundo.

Depois de tudo isso explicado, mostrado e “provado”, retorno ao título que nome ao post dessa vez vai. De 2006 o mundo, como conhecemos, não passa!

E se passar? Não vai. Mas e se? E se, eu formo o ano que vem, vou procurar um emprego e continuar vivendo. Sem me esquecer, é claro, o meteoro que provavelmente vai destruir o planeta em 2014. Não sabiam? Então, de um meteoro, ninguém escapa.

Mais sobre o código da bíblia:

http://www.misteriosantigos.com/codbiblia.htm

Mais sobre o meteoro em 2014:

Asteróide 'pode colidir com a Terra em 2014'” em BBC Brasil

http://www.bbc.co.uk/portuguese/ciencia/story/2003/09/030902_asteroiderg.shtml

terça-feira, junho 20, 2006

Para os novos visitantes

O PeixeFugido sai na frente oferece todo o conteúdo exclusivo agora também em inglês.

Com as bênçãos do deus Google, essa nova possibilidade permite aos usuários internacionais acompanharem o que acontece na cabeça demente do autor.

Para visualizar o blog em inglês basta clicar na bandeira ao lado.


Or must I say?:

The Run Away Fish (PeixeFugido) came first and offer all its exclusive content also in English.

By bless of Google god, this new possibility allow the international users see what is happening on the maniac mind of the author.

To read this blog in English you have to click at the British flag on the right side bar.

Desde o início dos tempos.

Dispensa comentários...

Os deuses do Google.


Outro dia, um amigo comentou que devido à facilidade de busca, poderíamos chamar Google de deus (letra minúscula proposital, afinal, não sou um herege que merece queimar nas labaredas eternas do inferno, ouvindo Bob Dylan e assistindo novela).

Que o google facilitou a vida, isso com certeza. Mas o que mais me assusta é a nova construção de verdade baseada em pesquisas que assumimos.

Duro e simples. Se depois de algumas tentativas frustradas de pesquisa utilizando diferentes e estratégicas palavras-chaves, ainda assim não encontrarmos sobre o tema que estávamos procurando, assumimos prontamente que não existe. Não mais recorremos a bases físicas de dados para desvendar o mundo.

Se as pessoas ainda lêem hoje em dia, e graças a Deus algumas o fazem, é meramente para acompanhar as notícias diárias, em caminho vertiginoso para tornar-se essencialmente digital, e pela literatura.

A literatura que é na verdade, o único meio de salvar a informação de papel. Pergunte a qualquer leitor se ele trocaria o papel pelo monitor. Nem somente os velhos apreciadores diriam nunca, mas também os jovens e casuais leitores. Literatura é papel e ponto. O brilho artificial não tem espaço nas estórias e histórias da leitura romanceada.

De volta à pesquisa, poderíamos facilmente assumir que uma ferramenta tão eficaz como o Google (letra maiúscula única e exclusivamente por respeito à marca) não só facilita, como democratiza o acesso a informação. Não mais grandiosas bibliotecas ao redor do mundo, a passagem que precisamos pode ser encontrada em qualquer lugar, do 486 dx2 do laboratório de informática do Centro de Ciências de Pessoas, ao super-mega-bom-do-universo dual core 6 gigas de pura adrenalina no Centro de Ciências de Pesquisas que Dão Dinheiro para as empresas.

Mas será que todo o conhecimento humano já está publicado na rede? Claro que não. Muitos são os livros dos autores desacreditados que jamais terão espaço para releitura depois de tantos séculos e seus conhecimentos irão, como o próprio autor, se apagar.

Grandes avanços sobre o entendimento do mundo e da vida se deram sobre releituras, pesquisas organizadas no cruzamento de informações dispostas em milhares de fontes, mas agrupadas e hierarquizadas pelo centro de informação central do leitor, não por um conjunto de algoritmos frios e maus.

E os tais autores desacreditados poderiam facilmente ser reencarnações (agora eu vou pro inferno) de Galileu ou Copérnico ou filhos de Amauri de Chartes ou Capocchio tão prodigiosos como seus progenitores.

Ao rever a escrita desses autores, julgados e condenados em suas épocas, que evoluímos em astronomia, física e química, respectivamente.

Apesar de se propagandear como a grande revolucionária na disseminação de informação, a internet é na verdade a nova inquisição do mundo moderno. Só é publicado o que os puritanos dos internautas julgam importante ou relevante e só alcança o grande público o que os grandes portais divulgam. E só pode ser acessado o que o Google ou Yahoo! classificam como relevantes.

Não se iludam meus amigos, publicar é só o primeiro filtro da informação. Este blog, por exemplo, não é encontrado em nenhum mecanismo de busca.

Querem calar essa voz que brande por atenção (dessa vez eu viajei, propositalmente) e que proclama a verdade aos quatro ventos. Como eu sei? Está tudo aí, na internet...

segunda-feira, junho 19, 2006

Atrasei, desculpa

Por isso que dizem que não devemos conversar com médicos quando sabemos que não temos nenhum problema.

Como eu cheguei a essa conclusão, simples!

Feriado prolongado, estive na minha cidade natal para rever a família, conversar com os amigos, essas coisas de pessoas normais (afinal, era como me julgava até então).

Ao executar minha rotina de visita aos mais próximos, encontrei uma boa amiga que inconvenientemente está bem avançada no curso de psicologia.

Conversa, lembrança, risadas, novas experiências e claro, uma curta troca de idéias sobre aquilo que temos aprendido em nossos respectivos cursos de graduação.

A infeliz já veio com uns papos de patologias psíquicas, o burro aqui deu papo. Uma pincelada sobre os diferentes autores do assunto e caímos nas bizarrices de psique humana.

Minutos mais tarde, estava deitado no sofá maior enquanto ela ao meu lado posava como doutora na confortável poltrona com veludo.

Ela, simples e direta, se limitava aos “explique-se melhor”, “mas como você se sentiu”, “como se julgou naquele momento” e tantas outras perguntas que nos exigem respostas bem elaboradas. Para tais simples interrogações Eu, complexo e cheio de rodeios, respondia em longas explanações sobre minha vida pessoal e social.

Numa dessas, deixei pano pra manga que me custou admitir pequenos segredos.

Tenho amor e ódio por água fria.

É boa, faz bem e tal, mas é ruim. Muito ruim. Mas como negar-me algo que faz bem só por ser ruim. Como sacrificar o futuro recompensador pela fuga do sofrimento presente. Todas essas questões essenciais se fazem um turbilhão de idéias no momento da água fria. Já no chuveiro, enquanto discuto comigo mesmo seja lá quem eu for: Vou sair. Não posso. Ta gelada. Mas faz bem. Vira homem e firma. Mas essa bosta ta gelada.

Os braços se contorcem, as pernas bambeiam, os olhos se fecham, o pescoço mal se agüenta, enquanto as vozes discutem. E enquanto não conseguem se convencer, o corpo se espreme de frio e prazer. De cada segundo sofrido tem-se um segundo de satisfação, amor próprio, confiança. O prazer carnal esboçado sem o contato físico, sem ilusões. O sofrimento recompensado.

A conclusão, sou um masoquista.

Claro que apesar da forte afirmação, ela o fez sem pensar em bizarrices sexuais, nem sangue ou metal.

O prazer pelo sofrimento, simples assim.

Uma doença ou loucura, limitado assim.

terça-feira, junho 13, 2006

Só pra não dizer que esqueci

Everything that has a beginning, has a “keep going”…

terça-feira, junho 06, 2006

Mentiras e verdades?


Beber café deixa a mente mais sugestionável, diz estudo

http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI1034097-EI298,00.html

Lá vem eles com essa história de novo! Será que é tudo uma simples falta do que dizer?

Café já está se tornando o exemplo mais engraçado e emblemático da palavra “estudo”, quando essa recebe pelo simples fato de existir, a característica inicial e inviolável de ser verdade.

Mas o que desgraça é verdade?

Obviamente, dizer que “um estudo aponta”, “um estudo mostra” ou melhor, “um estudo comprova” são expressões conclusivas demais. Claro que não vêm sozinhas, afinal, o que seria do “estudo” se não fosse dos “em uma universidade americana” ou “conduzida por cientistas europeus”. Essa é uma amostra bem simples da condição de verdade.

Cheguei onde eu queria, a verdade é comumente admitida como fruto de um trabalho científico sistematizado e empiricamente passível de ser provado. Mas antes de ser admitido como verdade, o experimento seja ele químico, matemático ou mesmo social, deve passar por uma banca que baseada numa literatura específica, deliberará sob a questão, alcançando inexoravelmente a conclusão do exposto ser verdadeiro ou falso.

Essa banca não são homens comuns. São cientistas, estudiosos, que após um fino desenvolvimento acadêmico tornaram-se aptos para estar ali, na posição.

Mas é ai que vem o pulo do gato. Tais acadêmicos, são obviamente formados dentro da cadeia de produção de ciência na qual tornaram-se posteriormente aptos a deliberar. Quer dizer, instituímos um protocolo de construção de verdades auto alimentado e pior, retro ativado. Isso quer dizer que estamos presos nessa cadeia de criação e estabelecimentos de padrões cuja argumentação de valides funda-se na chamada base do pensamento humano, a racionalidade.

Mas a razão surge como o elemento base do pensamento humanos somente durante as revoluções burguesas. O que me lembra que algumas palavras andam sempre juntas, padrão, prisão, razão, burguesia.

Não quero, obviamente, entrar num mérito de discussão marxista de controladores e controlados, nem de domínio ou não dos meios de produção. Mesmo porque, essa é uma discussão na qual eu não me dou muito bem.

Minha fonte de pensamento, me parece ser um pouco mais profunda, e está não na discussão do “que é” ou “não é”, mas aonde surge essa construção.

Se voltássemos nosso pensamento para alguns séculos atrás e pensássemos como eles, quer dizer, limitando a existência a vontade divina, haveriam entre nós também alguns insatisfeitos que levantariam as questões básicas de Deus existir ou não existir, das verdade prontas entregues pela igreja dominante. Mas o sistema de pensamento no qual estamos presos é um pouco mais complexo e infinitamente mais maquiavélico.

A razão é uma verdade tão bem sedimentada na mente do homem moderno, que associamos sua construção conceitual ao cerne do homem. No famoso “Penso, logo existo”, explicitamos essa necessidade de afeiçoar ao conceito. E quando digo explicitamos, não o faço porquê considero que somos todos autores da frase (afinal o que é uma frase?), mas porquê todos os humanos são fruto histórico do mesmo momento e nesse sentido, a fala de um indivíduo é a marca descritiva de todo o grupo no qual está inserido.

É nesse momento que aliamos as raízes da individualidade ao conceito criado em grupo que vejo temeroso o sentido do existir. Conceitos, idéias, noções e construções não estavam prontas quando o primeiro, biologicamente, Homo sapiens caminhou sobre solo terrestre, foi seu trabalho mental que gerou todo o sistema.

Num dado momento, o sistema tornou-se maior que o homem e novamente nos vemos presos a ele. Mas ludibriados por discussões mais exteriores como a força da mídia ou a discussão com a Bolívia ou ainda nossa condição subalterna aos EUA; ficamos cada vez mais longes de nos discutirmos enquanto humanos, não somente cidadãos.

A razão da vida, a beleza humana são assuntos hoje destinados aos poetas e sonhadores. Esquecido pelo Hominus sociales, cidadão, cientista.

Há alguns séculos, vivemos uma crise de identidade. Mas falta saber o que é identidade.

sexta-feira, junho 02, 2006

Devaneio presunçoso

Minha falta de ridículo alcançou níveis altíssimos. Me deu na cabeça que sei escrever crônicas. Mas depois de achar que sei escrever artigos de economia, até que não é um devaneio tão alto assim.
Então, dou minha cara a tapa. Ta aí, espero que os leitores tradicionais, digo, únicos, valew João (da Silva), Canário (Thiago, o outro) e Menina (seja lá quem você é); digam o que acham.

Crônica
Homem aí do lado

Nunca acordar cedo o incomodara tanto.

Com os olhos ainda bem amarelos, arrastou-se até o banheiro. Com dificuldades, abriu a porta e em movimentos automáticos executou todo o protocolo matinal que se poderia exigir de um homem naquela idade. Apesar do desconforto dessas primeiras horas, foi com prazer que abriu a calça e deixou-se inundar pela felicidade ao ver jorrar toda aquela impureza que se derramava de seu corpo.

A água fria no rosto lhe deu uma cara um pouco mais humana e uma disposição para enfrentar ao menos os próximos minutos.

Na cozinha, encontrou o café pronto, de ontem. Há muito já tinha desacostumado com os confortos do homem normal, aquele café rançoso era o suficiente para colocá-lo de pé e ir trabalhar.

Antes de sair, lembrou-se ainda que não podia sair daquele jeito, uma imagem da noite que morrera. “Onde eu estava com a cabeça”, teve ainda tempo de pensar.

Não se dava a modas e luxos, mas um emprego público exigia mais do que uma calça surrada que não ficou mal combinada com uma camisa que a muitos anos poderia ate ter sido chamada de nova. Todos aqueles anos dedicando-se ao trabalho pela sociedade, ou pelo menos ele o imaginava assim, não lhe garantiram crescimento considerável nas cadeias de comando do estado. Mas para a vida solitária que levava, o salário era até mais que o suficiente.

“O uniforme de homem trabalhar”, brincou com seus miolos, e estranhou o senso de humor naquela hora da manhã.

Foi mesmo como um bravo soldado que enfrentou o ônibus lotado, mas a vida ainda lhe sorria. Morando em um dos primeiros pontos daquela linha, pôde achar um lugar para sentar, na janela, como preferia, e naquela quase uma hora que se arrastou, assistiu a vida borbulhar na cidade grande.

Lembrou-se que enquanto criança sonhava em viver junto com todas aquelas pessoas, uma vida de aventura, sem rotinas ou monotonias. Ainda naquela época, achava que a vida no interior não era para ele. “E veja-me agora, um homem metropolitano”, vangloriava-se. Mas o rosto cansado pelos anos, mas especialmente pela semana, não lhe negavam um ar cansado e melancólico; e foi assim que desceu do ônibus, não só um entre muitos, porquê naquele momento teve tempo de chamar a atenção de um garoto perdido no passeio.

“Me dá um real, moço?”, a frase não veio só, amparada pelo olhar que só uma criança poderia fazê-lo, com o tom que só um pedinte faminto é capaz de reproduzir, o velho não resistiu. Mas sentiu-se bem ao trocar aquele um real pela promessa do garoto de ir a escola e tentar melhor de vida.

Um homem como ele não tinha muito, e achava, portanto, que não tinha que fazer muito. Talvez achou que tinha feito a sua parte pela humanidade ao ajudar aquele menino. Talvez tenha mesmo, aquele pobre e jovem mendigo fará muito pelo mundo.

De dever cumprido, era agora a sua hora de garantir o pão de cada dia. O serviço de entregador naquela repartição não lhe exigia muito. Office Boy diria um adolescente “Juventude!”, ele era só um entregador, simples e totalmente assim.

Enquanto esperava as primeiras ordens do dia teve tempo de pensar na vida. Das dificuldades que enfrentara até ali, “Um vencedor” lembrou. Não tinha uma sala com mesas classicamente velhas e computadores incompreensivelmente avançados, não precisava. Um cadeira de encosto côncavo ao lado da porta era mais do que necessário. “Um homem de guerra não precisava de confortos” lhe disse mais uma vez a voz beligerante que o acompanhara a vida toda.

A ordem e responsabilidade do dia veio em forma de um malote. Conhecia o endereço de entrega muito bem. Sorriu satisfeito ao lembrar que no caminho passaria pela praça central. Gostava de pássaros.

De sorriso aberto, mancou para a rua. As pernas já não estavam muito boas mais, mas o caminho não era longo.

Saudoso, satisfez-se ao lembrar que ainda gostava de pássaros.

quarta-feira, maio 31, 2006

As curvas do dólar

Estava tentando entender porque o dólar caiu tanto nos meses passados e porquê de uma hora para outra, sobe ao maior patamar desde agosto passado. Descobri a resposta.

Na tentativa de atrair novos investimentos internos ao Brasil, o governo criou a medida provisória 281, que determina não haver cobrança de imposto de renda para correntistas internacionais na compra de papéis (ações) públicos.

A medida foi necessária porque o governo brasileiro entendeu que o investidor nacional não se interessa por investimentos a médio e longo prazo, alguns desses papeis são para 2045.

A importância da MP é visualizada com os números que explicam as taxas de investimentos no território nacional. Para se ter uma idéia, em 2002 os investimentos foram negativos em US$ 274 milhões, explicada principalmente pelas incertezas quanto a eleição presidencial daquele ano; em 2003 US$ 272 milhões positivos; 2004 de US$ 101 milhões também positivos e finalmente em 2005, ano da MP, de US$ 689 milhões.

Todo esse montante financeiro entrando no país despencou o valor do dólar e inundou o mercado nacional de investimentos em setores estratégicos do governo.

Mas a ética do capital é a ética do lucro. Apesar da forte liquides econômica no ano passado, o governo agora deve pagar o preço. Com as incertezas sobre o mercado americano e a proximidade das eleições do Brasil, da mesma forma como o fluxo financeiro era positivo para a nação, ele se torna também imediatamente negativo. Os investidores começaram a fugir do turbulento cenário que se estenderá até outubro, o que pressionou novamente a subida do dólar.

Essa variação da moeda americana é fácil de assistir na televisão, mas têm mais notícias ai por trás. Lembram-se daqueles papéis que não despertam os interesses dos investidores nacionais? Então, para impedir que o capital especulativo estrangeiro tivesse perdas de até 30% dos investimentos, o Tesouro nacional agiu prontamente e entre os dias 24 e 26 de maio, aceitou aceitou recomprar R$ 4 bilhões em títulos dos quais os estrangeiros queriam se livrar. O Tesouro não informou qual foi custo para os cofres públicos dos três dias de socorro.

Aliviar prejuízo alheio não é função do Tesouro nacional.

Tanto não é função, que os produtores agrícolas nacionais, que vêm desde o ano passado acumulando dívidas decorrentes da baixa do dólar, não receberam a mesma ajuda benevolente do governo federal.

Toda essa movimentação econômica só nos mostra a ainda dependência do país desses fluxos financeiros internacionais e uma política que parece não querer mudar essa situação de sensibilidade do Brasil à esse dinheiro e instabilidade ao câmbio também decorrente.

“O prejuízo que a MP ajudou a provocar aos exportadores foi citado no Senado como motivo para a Casa no mínimo ter cuidado ao votá-la. A ponderação partiu do senador Tasso Jereissatti (CE), presidente do PSDB. Em negociações com a base governista sobre a votação da MP 281, Tasso mencionou o setor rural como exemplo de perda decorrente do dólar barato. Mas a argumentação não empolgou nem a bancada tucana. A expectativa do governo é aprovar a MP até quarta-feira (31). O parecer do relator, senador Luiz Otávio, presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), sugere votá-la nos mesmos termos aprovados pela Câmara no dia 26 de abril.”

Vamos ter que ratiar o prejuízo entre 200 milhões de brasileiros, DE NOVO.

segunda-feira, maio 29, 2006

Sobre homens e bárbaros

Estou terminando a leitura do livro Ensaio sobre a Cegueira de Saramago e aproveito o espaço inclusivo para recomendá-lo.

A cegueira a qual Saramago se refere através do romance em que se torna o livro, é aquela do homem de bons olhos, quero dizer, a cegueira não das luzes que levam à retina esse universo de cores, mas a cegueira quanto ao mundo no qual estamos inseridos. Uma cegueira social, por assim dizer, buscando não cair no mérito da sociologia e psicologia social.

E foi pensando sobre isso que hoje me encontrei discutindo o que é ser um ser humano. Quero dizer, todas essas roupas, carros ruas e fios são o que nos separam do homem animal? Brusco e tosco, bárbaro no sentido mais animalesco a que podemos pensar sobre homens.

Em uma das frases do livro, na voz da “mulher do médico”; isso porquê os personagens não tem nomes, mas os identificamos por referências, falarei mais sobre isso depois; a frase a qual me referia portanto é “Se não podemos ser totalmente homens, nos esforçaremos para não ser totalmente animais”. Para se entender melhor a frase, pensemos que a personagem se encontra num espaço insalubre para o pleno desenvolvimento do homens enquanto moderno, a quem noções de conforto e higiene são vitais.

Retornando aos postes e asfaltos, são eles que nos fazem assim tão diferentes dos outros seres que coabitam o planeta? Usar um cabo metálico para conectar eletricamente uma fonte produtora e outra consumidora é assim tão menos animal que usar o mesmo fio para pousar sobre, se não entenderam a figuração, me refiro a um pássaro que enquanto descansa, espera sobre o fio que a energia lhe retorne as penas. E de um jeito que só o pássaro pode, observa os pobres animais humanos indo trabalhar, angustiados e cansados, mas que pressionado por uma noção de tempo inexorável, não se pode dar ao conforto de parar sobre um fio de metal e esperar enquanto descansa.

Na pobre interpretação que me permito ter sobre Saramago acredito que a opção de não dar nomes aos personagens é justamente para lhes tirar o caráter de unicidade e pode aplicar seu desenvolvimento a todos aqueles que nas palavras descritivas interpretam uma leitura sobre si mesmo.

E é dessa cegueira que penso. Será que camisas e calças, carros e colchões, é isso mesmo que nos fazem mais humanos? Talvez seja se pensarmos que essas coisas nos distanciam do barbarismo, mas o que na verdade é barbarismos?

Vemos que com quanto mais luxos se cercam os homens, menos humanidade vemos em seus olhos. Acho que associamos tão fortemente a construção de humanidade ao desenvolvimento da civilização que não conseguimos sequer nos imaginar em outra condição. A noção do homem como bicho social nos impede de distanciar o entendimento sobre nossa vida da vida alheia.

Prendemo-nos uns aos outros em uma base psicológica tão profunda que chamamos nossos grilhões de liberdade e esperamos por respostas, que acredito a muito tempo estiveram em nossas mãos mas que agora, nem existem mais.

“Não há mais futuro, só uma sucessão de presentes”.

terça-feira, maio 23, 2006

Inocentes

“Vivemos um momento terrível , mas também precioso na vida brasileira. O país está com o corpo aberto, mostrando seu câncer generalizado.

Em um ano, descobrimos que havia uma quadrilha no poder e vimos como funcionava a corrupção, dos mensalões atá as sanguessugas. E agora, descobrimos que estamos muito mais indefesos do que pensávamos.

E quem nos revelou isso tudo? Os salvadores da pátria? Não. Um corrupto confesso, o Jefferson, nos mostrou como era o sistema da quadrilha no poder.

E agora, o Marcola e o PCC nos ensinam que estamos abandonados pelo poder publico.

Diante da incompetência evidente, os políticos se acusam, mas a verdade é todos estão aquém do que acontece. A realidade explode e revela a preguiça, o descaso e a ignorância de todos os políticos.

Estamos vivendo uma crise institucional. As soluções tradicionais não bastam. As "providencias", as “comissões", nada resolve.

Talvez adiante a humildade do Lula e seus petistas, dos tucanos e seus aliados, todos os políticos, reconhecendo que não sabem o que fazer. Só um mutirão acima de partidos e uma pressão contínua da sociedade podem, talvez, ajudar.

É um momento precioso. Não deixemos escapar esta oportuna verdade terrível: o Brasil precisa de uma revolução institucional. Não há solução ainda porque a verdade é que não conhecemos o problema.”

Arnaldo Jabor

http://jg.globo.com/JGlobo/0,19125,VBC0-2754-168681,00.html

Acredito que vivemos na verdade, uma crise de identidade. Perdemos quais são as noções de pais, nação. Perdemos o fio da meada jurídico, impossibilitados de saber o que é certo e errado, cegados pelo impunidade.

Se Jabor diz que vivemos um momento único... Concordo.

Bandidos, traficantes, meliantes, esses já matavam tradicionalmente. Mas só alguns infelizes e pobres entre eles vão para a cadeia. Mas isso, todos já sabíamos.

Agora também, policiais respondem balas com balas. E se não sabe-se de onde vem o tiro, não há o porquê de saber aonde minha resposta vai acertar. Inocentes morrem.

Políticos também matam. A corrupção é a grande arma contra o povo. E começa com um traficante entrando com celular na cela e termina com 50 inocentes assassinados queimados vivos dentro de ônibus super lotado. O problema em todo o círculo vem lá de cima. Onde o dinheiro compra tudo, até a alma.

Jornalistas também matam. E se dizem por amor. E assassinato é respondido com liberdade. Ai, juízes também matam. A impunidade abre pretextos. Corrupção.

A verdade parece assim, frases tristes e soltas. Perdemos a noção do todo, da continuidade. Perdemos as construções de passado, presente e futuro. Perdemos o tempo enquanto caminho.

Vivemos a repetição diária da dor.

Inocentes morrem.

sexta-feira, maio 19, 2006

Pra quem curte tecnologia


Achei esse texto agora a noite no Portal Terra. Pra quem curte informática e tecnologia, vale a pena dar uma lida.

Água e nano-fios podem aumentar armazenamento de dados


Água e fios de dez átomos de espessura poderiam ser usados para construir os menores e mais densos elementos de armazenamento de dados conhecidos. Os fios, com espessura de três bilionésimos de metro, poderiam ser usados para guardar 12,8 Terabytes de dados em um centímetro cúbico de memória, diz a NetworkWorld.

A pesquisa da Universidade de Drexel descobriu que cercar com água fios ferroelétricos em escala nanométrica estabiliza sua carga elétrica. Isto significa que eles poderiam ser usados para estocar dados usando as duas direções potenciais de carga de modo a codificar os zeros e uns do sistema binário.

Materiais ferroelétricos em nano-escala têm cargas elétricas espontâneas e reversíveis, ou seja, os dois pólos elétricos podem se reverter espontaneamente. Material adicional é necessário para varrer os fios e estabilizar os pólos.

As moléculas de água ajudam a estabilizar o processo. "Se comercializada, uma memória ferroelétrica criada a partir destes nano-fios poderia chegar aos computadores domésticos, tornando os HDs atuais obsoletos. A capacidade extrema fornecida por estes dispositivos poderia facilmente colocar o equivalente a uma sala repleta de discos rígidos em um cartão de bolso, mas esta idéia também pode ser aplicada a outros componentes computacionais, como uma memória RAM ferroelétrica", diz o comunicado da universidade.

De qualquer forma, para comercializar a tecnologia ainda seria preciso que outros nano-fios lessem e escrevessem dados nos fios de gravação. Isto iria requerer algo como um chip de material estável com uma jaqueta de água cercando cada nano-fio e cerca de 12,8 trilhões de conexões externas deste chip para os fios de leitura e gravação.

Leia o mencionado comunicado da universidade em snurl.com/ql7k, onde se lê que, com a referida tecnologia, no futuro poderemos ter, por exemplo, um iPod tocando música continuamente durante 100 mil anos sem repetir uma única canção, ou mesmo um pen drive USB com capacidade para armazenar 32,6 milhões de DVD's na íntegra.

http://tecnologia.terra.com.br/interna/0,,OI1012451-EI4799,00.html

Sonhos para os libertos

No último artigo que publiquei aqui, o autor faz referência a uma carta enviada pela princesa Isabel ao Visconde de Santa Victória. Fiz uma googlada e achei o texto.

A carta pede Reforma Agrária para as pessoas negras recém libertas.

11 de agosto de 1889 - Paço Isabel Corte midi Caro Senhor Visconde de Santa Victória

Fui informada por papai que me colocou a par da intenção e do envio dos fundos de seu Banco em forma de doação como indenização aos ex-escravos libertos em 13 de Maio do ano passado, e o sigilo que o Senhor pediu ao presidente do gabinete para não provocar maior reação violenta dos escravocratas.

Deus nos proteja dos escravocratas e os militares saibam deste nosso negócio, pois seria o fim do atual governo e mesmo do Império e da Casa de Bragança no Brasil.

Nosso amigo Nabuco, além dos Srs. Rebouças, Patrocínio e Dantas, poderem dar auxílio a partir do dia 20 de Novembro quando as Câmaras se reunirem para a posse da nova Legislatura. Com o apoio dos novos deputados e os amigos fiéis de papai no Senado será possível realizar as mudanças que sonho para o Brasil!

Com os fundos doados pelo Senhor teremos oportunidade de colocar estes ex-escravos, agora livres, em terras suas próprias trabalhando na agricultura e na pecuária e delas tirando seus próprios proventos. Fiquei mais sentida ao saber por papai que esta doação significou mais de 2/3 da venda dos seus bens, o que demonstra o amor devotado do Senhor pelo Brasil. Deus proteja o Senhor e todo a sua família para sempre!

Foi comovente a queda do Banco Mauá em 1878 e a forma honrada e proba, porém infeliz, que o Senhor e seu estimado sócio, o grande Visconde de Mauá aceitaram a derrocada, segundo papai tecida pelos ingleses de forma desonesta e corrupta. A queda do Sr. Mauá significou uma grande derrota para o nosso Brasil!

Mas não fiquemos mais no passado, pois o futuro nos será promissor, se os republicanos e escravocratas nos permitirem sonhar mais um pouco. Pois as mudanças que tenho em mente como o senhor já sabe, vão além da liberação dos cativos.

Quero agora me dedicar a libertar as mulheres dos grilhões do cativeiro domestico, e isto será possível através do Sufrágio Feminino! Si a mulher pode reinar também pode votar!

Agradeço vossa ajuda de todo meu coração e que Deus o abençoe! Mando minhas saudações a Madame la Vicomtesse de Santa Vitória e toda a família. Muito de coração ISABEL

Escravidão

Outro dia, tentei escrever alguma coisa a cerca do 13 de maio e a comemoração da Lei Aurea. Naquele momento não consegui articular um bom texto, mas hoje, em uma das minhas visitas ao Blog do Noblat li um artigo simplesmente fenomenal.

É um exemplo do texto "diz tudo".
Como já mencionado, o artigo foi achado do site Blogdonoblat.com.br, mas é de autoria de Ruy Fabiano, jornalista.

O texto integral segue abaixo.


A escravidão e a crise

Ruy Fabiano

Joaquim Nabuco, uma das lideranças abolicionistas mais expressivas do século XIX, previu que, durante muito tempo, o Brasil viveria os reflexos adversos do longo período em que foi escravocrata – mais de três séculos. É uma ferida que se recusa a cicatrizar.

Os índices alarmantes da crise social brasileira e de um de seus mais dramáticos subprodutos – a criminalidade – mostram que Nabuco acertou em cheio, mesmo sem ser profeta. Nem era necessário que o fosse. O modo como a escravidão foi abolida no Brasil tornou a Lei Áurea não um diploma libertador, mas a primeira demissão coletiva de nossa história.

Os escravos não foram indenizados, nem guarnecidos por qualquer programa de governo que os incluísse socialmente. Não receberam terras, não tiveram acesso à educação. Foram se ajeitando como puderam – e lhes foi permitido - nas periferias das cidades, submetendo-se a subempregos e biscates, tão dependentes quanto antes da casa grande, só que, uma vez “libertos”, sem a contrapartida da senzala.

Passou a vigorar aquilo que, na gíria dos malandros cariocas, chama-se de “lei de murici” – cada um que trate de si. Enquanto escravos, tinham ao menos quem deles cuidasse e alimentasse, já que constituíam patrimônio de grande liquidez.

Escravo sadio era cheque ao portador. Poderia ser usado para quitar débitos, servir de aval em negociações bancárias ou mesmo constituir dote nas transações matrimoniais dos seus senhores.

A abolição, nos termos em que se processou, submeteu aquele imenso contingente de seres humanos a condições ainda mais iníquas que as da escravidão. Sem liderança e sem ter quem por eles falasse, restou-lhes submeter-se ao novo cativeiro, que prossegue até hoje.

Um assalariado, submetido ao precaríssimo sistema de transporte e saúde, péssima alimentação, nenhum lazer e nenhuma segurança, padece mais que um escravo.

O resultado aí está: PCC, Comando Vermelho e coisas do gênero. O narcotráfico, de quebra, criou uma equação inesperada, um nó cego, para a crise social brasileira: propiciou que esse vasto contingente se capitalizasse - e se armasse até os dentes.

Hoje, no Rio e em São Paulo – e em diversas outras capitais -, há milhares e milhares de jovens, reféns do narcotráfico, servindo de mão-de-obra barata para o crime. São seres anônimos, com cujo destino ninguém se importa. Segundo a OAB, há, na periferia de São Paulo, cerca de 1 milhão de jovens, entre 16 e 24 anos, que nem estudam, nem trabalham – nem têm a perspectiva de uma coisa ou de outra. São vistos como insetos pela classe dominante.

Os jornais dão conta de que a polícia já eliminou (escrevo na manhã desta quinta, 18.05) 93 deles, nestes dias de conflito. Como os conflitos prosseguem e a paranóia deve aumentar, esse número ultrapassará fácil, fácil a casa da centena. Imagine-se que garantias terá um jovem negro ou mulato, surpreendido numa rua da periferia paulistana, à noite, ao ser percebido por um policial (que, em regra, é também jovem e mestiço e mora igualmente na periferia).

É ali que os suspeitos estão sendo eliminados, aos montes. A maioria nem é identificada. São “presuntos” (a terminologia é quase oficial, usada com naturalidade por policiais e repórteres do setor), despejados no Instituto Médico Legal.

Estimativas oficiais indicam que, em todo o país, o número de jovens ociosos entre 16 e 24 anos chega a 7 milhões – contingente superior às populações somadas do Uruguai e do Paraguai. A economia do país, por seu turno, há anos cresce a índices vegetativos, sem gerar empregos e perspectivas. Ano passado, foi de pouco mais de 2%, equivalente à do Haiti, país em guerra civil e um dos mais pobres do planeta.

O governador de São Paulo, Cláudio Lembo, em surpreendente entrevista a Mônica Bérgamo, da Folha de S.Paulo (surpreendente para um político conservador, do PFL), não hesita em debitar à “burguesia branca e perversa” a responsabilidade pela crise social – e, portanto, pela guerra urbana de São Paulo. Menciona as circunstâncias espúrias em que foi feita a abolição da escravidão no Brasil, em que o senhor - e não o escravo - foi indenizado.

Lembra que, no Brasil, essa mesma burguesia, que dá entrevistas indignadas à imprensa, cobrando providências contra a crise social, “explora a sociedade, seus serviçais, explora todos os serviços públicos”. E ainda: “Querem (os burgueses) estar sempre nos palácios dos governos porque querem ter benesses do governo. Isso não vai ter aqui nesses oito meses [prazo que resta para Lembo deixar o governo].”

Num crescendo de indignação, avisa: “A bolsa da burguesia vai ter que ser aberta para poder sustentar a miséria social brasileira, no sentido de haver mais empregos, mais educação, mais solidariedade, mais diálogo e reciprocidade de situações.”

Nem a esquerda está sendo tão áspera em sua retórica. Será que a burguesia – de que Lembo é esplêndido um exemplar – finalmente acordou? Ou será apenas mais um espasmo?

Há dias, a propósito da celebração de mais um 13 de maio (o 118º desde a Lei Áurea), foi divulgado um documento inédito – e altamente oportuno – da História do Brasil: uma carta da Princesa Isabel, datada de 11 de agosto de 1889 (um ano e três meses após a abolição), endereçada ao Visconde de Santa Victória, dando conta dos esforços, dela e de seu pai, Dom Pedro II, para prover condições dignas de sobrevivência e inserção social dos ex-escravos.

A princesa defende indenização aos recém-libertos, constituição de um fundo para compra e doação de terras pelo Estado e ajuda pecuniária para a exploração agrária. Em vez de gerar efeitos, o documento foi mantido secreto. Só agora veio à luz, coincidindo com a eclosão da guerra urbana de São Paulo.

A Abolição brasileira, além de pôr em cena outra forma de escravidão, acabou sendo estopim de uma espúria aliança, que uniu ex-escravocratas inconformados a republicanos exaltados – e ambos, sob o comando dos militares, proclamaram a República.

Isso explica a tortuosa trajetória de nossa república, que jamais fez jus ao seu sentido etimológico. No Brasil, como bem lembrou Cláudio Lembo, a república não é pública. É privada – e precisa ser urgentemente reproclamada.

Com a palavra, os candidatos à Presidência.