segunda-feira, outubro 29, 2007

Post 100


Fiquei meses tentando pensar no post perfeito para comemorar a centésima postagem. Não veio nada em mente, então acabei ficando distante. Para quebrar essa maldição, vai aí um post dos tradicionais.

sábado, julho 28, 2007

O pedaço de uma biografia

Culpa da ansiedade, não conseguiu dormir.

Deitado na cama, olhava um dos cantos da janela. Um pedaço quebrado do vidro permitia que a luz invadisse o quarto e incomodasse as pálpebras já inquietas. Não suportando o peso do corpo sobre o colchão, preferiu levantar. Caminhou até a porta e olhou discretamente para o corredor escuro. Uma luz de baixa potência amarelava o cômodo, sem iluminá-lo.

Dominou o resquício de um medo infantil e arriscou alguns passos. O ambiente era habitual, podia ler, escondido nas paredes, as marcas rupestres de sua vida. Cada centímetro guardava um segredo. O clima de saudosismo pesava-lhe as sobrancelhas. “Ó saudade déspota”, lamentou em silêncio.

A caminhada até a cozinha só lhe roubou alguns segundos. Um copo de água, outro de leite, mas não era assim, sabia, que ia afogar sua sede. Ainda segurando o copo sujo se arrastou até a janela aberta para o quintal e ali se deixou levar no olhar perdido muito além das estrelas.

A escuridão foi interrompida pelo sol que ameaçou levantar, o silencio, pela mãe que vinha preparar o café. Afugentado para o quarto sabia que tinha muito o que fazer, tudo teria de estar pronto em poucas horas.

Durante o café ameaçou algumas poucas palavras. Os clichês das despedidas não limparam as lágrimas da mãe. De olhar baixo, com o queixo esfregando-se ao peito caminhou pelo resto da casa. Murmurou juras. Abençoou cantos e quinas.

O pai lhe esperava no quarto. Olhos fixos, queixo como que entalhado em pedra. Segurava um pequeno envelope nas mãos. As mãos suadas já começavam o borrar o nome escrito aos garranchos: Bruno. Ao vê-lo, o pai se levantou. Deu dois passos e esperou que o filho viesse abraçá-lo. Uma mão estendida procurou a sua. Mas esse não era o momento delas. Os braços se ergueram, as lágrimas não se contiveram, e pai e filho celebraram juntos, escondidos pelo silencio, a ternura que só encontrava lugar no seio da família. Não se demoraram.

No caminho para a rodoviária observou cada detalhe uma segunda vez. Jamais conseguiria se lembrar do primeiro dia em que passou por ali, mas com certeza guardaria consigo para sempre essa última quando ainda pode chamar tudo aquilo de casa. Caminhou a passos curtos, despreocupados, mas ansiosos.

Na rodoviária viu-se em figura pintada, a sua vida até ali. Ombros caídos, mochila apoiada nas pernas, um moletom enrolado nos braços. Os olhos fixaram longe, afugentados pelo medo de se enxergar sozinho. Naquelas primeiras horas da manhã, poucos se arriscavam no frio de Alpinópolis. O ônibus vindo de Passos dobrou a esquina da igreja no final da avenida. O vácuo provocado pelo movimento balançou a aléia que se estendia por toda a rua principal. Um cachorro assustado correu pela grama amarelada do inverno. As orelhas livres chamaram a atenção de Bruno que acabou permitindo a um sorriso esboçar seu traço no canto da boca.

Percebido o erro, realinhou os lábios e manteve a atenção no ônibus que se aproximava. O barulho agudo dos freios fez eco nas paredes pichadas da rodoviária até se calarem diante o trocador que perguntava sobre as malas.

Confundindo-se, Bruno respondeu sobre as lembranças:

--- Vou levá-las comigo.

Subiu para o ônibus e se permitiu sonhar: “como será Viçosa”?

terça-feira, julho 17, 2007

Sabedoria do dia 18


Acessado em http://www.wulffmorgenthaler.com
Tradução livre por Thiago Locutor

quinta-feira, julho 12, 2007

Sabedoria do dia 17


Acessado em http://www.wulffmorgenthaler.com
Tradução livre por Thiago Locutor

terça-feira, julho 10, 2007

Sabedoria do dia 16


Acessado em http://www.wulffmorgenthaler.com
Tradução livre por Thiago Locutor

sábado, junho 23, 2007

Sabedoria do dia 15


Acessado em http://www.wulffmorgenthaler.com

Sabedoria do dia 14


Acessado em http://www.pbfcomics.com/?cid=0PBF34036BC-Falling_Dream.jpg#35

quinta-feira, junho 14, 2007

Sabedoria do dia 13


Acessado em http://www.dilbert.com
Tradução livre por Thiago Locutor

segunda-feira, maio 28, 2007

Sabedoria do dia 12


Acessado em http://www.wulffmorgenthaler.com
Tradução livre por Thiago Locutor

Viagem de ônibus

11 horas de ônibus? Impossível não descer um pouco melancólico.

Foram tantas horas sozinho, afundado em pensamentos, que memórias, sonhos, decepções vêem todos dividir um pouco de sua atenção enquanto o mato parece correr lá fora.

Sou do tipo que puxa conversa. Ônibus é um lugar péssimo para se conversar com estranhos. Ali, presos, pra onde fugir, onde “pegar mais bebida” ou ainda, onde “procurar minha irmã”? Se a conversa está ruim ou caminha para isso, os interlocutores estão presos naquela caixa de ferra a 100 km por hora ligados pela proximidade da poltrona. Não, prefiro ficar calado. Mesmo porquê, ainda corre-se o risco dela(e) ser do tipo que adora falar. Nesses casos, aquele bom dia transformou-se num convite para ouvir sobre a festa de casamento da tia encalhada e como as feridas alérgicas do afilhado está melhorando. Faço mesmo é o tipo sem educação. Não falo, não sorrio e não corro riscos.

Durante anos, absorto no silencio, me incomodei com as conversas altas, os bêbados cantando e a velha reclamando de dores na bacia, “culpa do sereno” dizia. Mas fui crescendo e no meio de tanto o que aprendi, percebi que a graduação de volume ia de 0 à 100 e que 100 é bem alto. Claro que corro o risco de ficar surdo qualquer hora dessas, mas se é para ouvir o que vinha ouvindo, talvez melhor ser surdo mesmo.

Mas nenhum dos problemas de um viajante se compara à tradicional poluição olfativa. Dessa, não se escapa. As narinas pregadas no pulso do perfume. A disfarçada camisa sobre o nariz. A janela arreganhada. No final das contas é impossível fugir do cheiro. Também, quem mandou sentar do lado do velho do pito e da tia do bigode. Mas péra aí, eu não sentei do lado deles, eles sentaram do meu! Então, quem mandou nascer pobre, agora agüenta o ônibus.

quinta-feira, maio 24, 2007

Descrição de uma bicicleta


Era fácil de imaginar um jovem pilotando aquela bicicleta.

Azul, prateado e branco, cores modernas que traziam um ar despojado. O gosto adolescente por personalização era claro nos adesivos de desenhos da década de 90, amortecedores em aço escovado e os chifres, como extensões dos guidões, carregavam a imagem esportiva. A bicicleta era bem cuidada, limpa. Claro onde devia ser clara, escuro onde devia ser escura.

O desenho do esquadro era simples, “sofisticado” suponho que o dono diria. Um triângulo que formava seu lado reto nas primeiras coroas ligadas ao pedal. As juntas tinham a solda bem aparada, um capricho para aqueles que fazem questão de um bom produto.

A bicicleta era uma máquina perfeita para o transito, fácil de imaginar, respeitosa, deslizando apesar das ruas pouco cuidadas da cidade. Espelho retrovisor circular no lado esquerdo, campainha discreta no direito: aparatos exigidos pela legislação.

O banco era um show à parte. Uma seqüência de “moderno”, “aerodinâmico”, “estrutura de carbono”, “silicone” seria ouvida de um entendedor. Não que o assento precisasse de um para conhecer seu lugar. Afinal, ficava ali, acima de tudo, na posição de destaque para aquele capaz de guiar a máquina.

quarta-feira, maio 23, 2007

Só quem já caiu


Só quem já levou um tombo, sabe como doem os joelhos. O desconforto de preparar-se para levantar. A humilhação de ver os outros na perspectiva do chão. O coração que não para, assustado pela queda. O orgulho ferido de ser traído pelas próprias pernas.

Sempre fui sonhador. Mas passo a passo os sonhos vão se transformando em esperanças até se definharem em desilusões.

Primeiro descobri que sozinho não poderia mudar o mundo. Depois, que poucos estariam dispostos a juntar forças comigo para fazer algo diferente. O universo não quer ser mudado.

Depois achei que as pessoas eram boas. Diminui meus padrões para me acomodar na ilusão de que a educação era um bem universal. Agora, esquecido, a verdade injusta é que poucos se importam com muitos. A maioria só tem um foco na vida, o próprio umbigo.

Por palavras não ditas, amigos vão ficando para trás. E cada uma dessas folhas que voaram da árvore seca, podem até dançar nos ares, como se mais leves que penas não precisassem de asas. Mas no final, de certeza só se tem a queda.

Decepcionado, triste e magoado o sol nasceu pálido abaixo das nuvens. Veio, olhou, não se importou e voltou a se esconder. Por que a escuridão? Perguntaram os olhos.

Porque não há mais razão para luz. Não há mais motivos para sonhar.

Aprendi hoje mais uma lição: que de poucos pode-se esperar.

terça-feira, maio 22, 2007

Sabedoria do dia 11


Acessado em http://www.wulffmorgenthaler.com
Tradução livre por Thiago Locutor

segunda-feira, maio 21, 2007

Sobre o feminismo


Sempre quis escrever um texto sobre o feminismo e o papel da mulher na sociedade. Em duas oportunidades as palavras chegaram à ponta da língua, mas desisti. A primeira delas foi quando eu li um texto fantástico no “Mulher contrariada” da minha grande amiga Angélica e a segunda, quando me disseram que eu era um pouco machista. Pois bem, hora de esclarecer o que eu penso sobre o assunto.

Antes de mais nada, a inspiração e as citações para esse post foram coletadas no “no mínimo ׀ Contemporânea”, escrito por Carla Rodrigues (pode ser acessado aqui: http://contemporanea.nominimo.com.br/).

Em visita ao Brasil, o papa Bento XVI declarou ao povo brasileiro “as mães que querem dedicar-se plenamente à educação de seus filhos e ao serviço da família têm de gozar das condições necessárias para poder fazer, com o direito de contar com o apoio do Estado. O papel das mães é fundamental para o futuro da sociedade.”

Em uma boa estratégia semântica, o líder da igreja católica deixou claro “as mães que querem”. Esse é o ponto fundamental de onde nasce a dualidade incoerente do pensamento feminista.

A revolução feminina da segunda metade do século passado levantou a pertinente bandeira da igualdade entre os sexos. A equidade entre homens e mulheres deveria ser alcançada em todos os níveis da sociedade, estendendo-se da vida doméstica ao mercado de trabalho. Mas a posição masculina na vida pública foi desproporcionalmente focada nesse processo. Era legítimo que as mulheres pudessem ter o mesmo status social que os homens na vida social, mas isso não implica que esse status é superior ao feminino. A posição no mercado, salários, foram sobrepostos as funções domésticas e maternas, pressionando que as mulheres “alcançassem” sua posição lado-a-lado aos homens. Essa foi a grande falha.

O raciocínio deveria ter sido, desde o principio, em estruturar um mercado que permitissem as mulheres ter condições de trabalho iguais as masculinas, bem como valorizando, na mesma proporção, aquelas que escolhessem a vida doméstica. Pensamento este, que deve ser aplicado, na mesma instância, para os homens.

Sustentar uma casa, nos termos contemporâneos, é importante. Mas garantir a boa educação dos filhos, principalmente numa época de distúrbios éticos e morais, é igualmente necessário para se construir o país.

Nota da ilustração: Impossível não lembrar do paralelo com a obra "A liberdade guia o povo" (tradução livre).

Isso é que é criatividade


Segundo o jornal The Times of India (que por si só já daria sentido ao título desse post), em Bihar, no leste do país, um trem parou e o maquinista não conseguiu colocá-lo em movimento novamente. O jeito foi apelar para uma mãozinha. Ou centenas delas. “Convidados” pelo condutor, os passageiros tiveram que descer e empurrar. O jornal diz ainda que os passageiros que foram necessários 60 metros para que o trem voltasse a funcionar. A matéria, em inglês, pode ser lida clicando aqui.

Sabedoria do dia 10


Acessado em http://www.wulffmorgenthaler.com
Tradução livre por Thiago Locutor

segunda-feira, maio 14, 2007

Sabedoria do dia 9


Retirado em http://www.wulffmorgenthaler.com

quarta-feira, maio 09, 2007

“De todos suas habilidades, para todos suas necessidades”.


“De todos suas habilidades, para todos suas necessidades”.

Além da retórica, a estrutura comunista é linda, apaixonante. Através dela, uma sociedade igualitária é possível. Mas a tentativa de aplicá-la foi um desastre. Um engano semântico significou morte, dor, sofrimento, nas proporções já tão acostumadas pelos seres bíblicos.

Uma sociedade igualitária não quer dizer uma sociedade de iguais. O erro soviético foi pensar o homem a imagem de seu próximo. Mas apesar de semelhantes, não queremos ser iguais.

Nem todos são operários, nem todos são Estado.

Outras formas de dominação foram tão bem sucedidas porque manteram isso claro. Livre arbítrio, democracia, a verdade pluralista do liberalismo. Manter a idéia da escolha é essencial.

Permitindo que possamos fazer nossas próprias vidas, a escolha pode ser condicionada ao certo e ao errado, mas ainda assim há uma escolha. Nossas decisões podem significar que não haja mudanças, nossa vontade pode simplesmente corroborar a sucessão infindável de fatos que mantêm a estrutura intacta. Mas enquanto houver a possibilidade, a liberdade de escolha, estaremos de “comum” acordo.

Livres somos felizes. Marx sabia disso. Mas talvez tenha faltado uma nota explicativa de sua “sociedade igualitária”.

Por tudo isso, tenho como um dos meus filmes favoritos “A Vila”. O filme não é nada sobre vila e monstros. Mas sobre homens e monstros. É sobre controle em suas fundações. Sobre medo, sobre monstros, sobres cores e sons. A Vila é o retrato de uma sociedade que esconde sua natureza animal trancafiando-se em regras e sonhos.

A Vila nos joga na cara que algumas verdades são exclusivas para os cegos. E que tudo parece lindo e emocionante ao som de uma boa música. Deixem os violinos contar a história.

segunda-feira, maio 07, 2007

Aprenda a ser um robô

Fantasiado sobre o título "Confira cinco dicas tecnológicas para ganhar tempo", o Terra busca ensinar seus usuários a aproveitarem melhor a tecnologia. O site é categórico ao dizer "Com todas estas sugestões, seu ganho pode variar. Mas em geral, você otimiza, simplifica e reestrutura seus hábitos diários".

1) Utilize a web para ver TV
Algumas pessoas gastam horas por dia vendo reality shows que não levam a nada. Para otimizar o tempo de televisão, programe-se antecipadamente. Veja os programas que você pode querer ver e grave-os utilizando uma placa de captura. Alguns modelos automatizam a ação, semelhante ao TiVo. Assim você não perde tempo com comerciais ou buscando algo para assistir.

2) Filtre seu tempo online
Quanto do seu tempo livre você utiliza vendo bobagens online, apagando spam e "caçando" sites? Corte este tempo ao utilizar filtros de spam para email, condense seu tempo de visitação de blogs ao assiná-los via RSS e prometa a si mesmo que deixará de ver aquele monte de vídeos horríveis de bobagens que circulam pela Internet.

3) Crie um combo entre exercícios e leituras
Se voce lê revistas de notícias e jornais e além disso se exercita, você pode combiná-los para ganhar pelo menos uma hora no seu dia. O segredo é substituir as leituras diárias por podcasts informativos e ouvi-los enquanto caminha, ou levanta pesos. É bem provável que as publicações que você lê tenham versões em Podcast. Assim você economiza dinheiro, ajuda o meio-ambiente e economiza tempo de leitura (porque dá para escutar enquanto se faz outras coisas).

4) Otimize seu horário levantando mais cedo
Economize uma hora por dia levantando e indo para a cama três horas mais cedo. Se você está acostumado a levantar às 7h e ir para a cama às 12h, desenvolva o hábito de acordar às 4h e ir para a cama às 21h. Assim você pode trabalhar três horas enquanto os outros estão ociosos, tendo melhor produtividade e sem interrupções por conta de reuniões, ligações e email. Além disso, você evita o trânsito caótico.

5) Simplifique seu deslocamento
Falando em trânsito caótico, algumas pessoas gastam um bocado de tempo indo e voltando do trabalho. A forma mais fácil de acabar com este problema é trabalhar em casa. Assim, você simplesmente irá eliminar o deslocamento e a perda de tempo. A maioria de nós não tem este luxo, então simplifique seu deslocamento em uma das seguintes formas. Use ônibus, metrô, ou arrange uma carona, para que você possa trabalhar ou ler durante o deslocamento. Se você tem que dirigir, escute podcasts ao invés do rádio de manhã, ganhando tempo ao saber das notícias. Outra boa alternativa é escutar livros gravados em cd ou e-books.

Não sei quanto a vocês, mas pra mim, isso soa bastante como um manual para ser um bom robô.
O que eu digo? F$%&-se regras, horários otimização do tempo. Simplesmente façam...

Sabedoria do dia 8


Acessado em http://www.wulffmorgenthaler.com
Tradução livre por Thiago Locutor