terça-feira, fevereiro 20, 2007

Listas


Resolvi me organizar. E não há jeito melhor de fazê-lo, senão copiando um bom exemplo. Já copiei o João com a idéia da agenda (sempre organizado), o Frank com o relógio (sempre pontual), o Cabeça com as notinhas na mão (ótima memória) e a Angélica com as listas de “coisas há fazer” (nada fica para trás).

Ta bom que talvez os exemplos em quem me inspirei não são os mais adequados, mas ainda sim são idéia a seguir. Na verdade, gostei tanto de algumas delas, que colocarei aqui no blog as listas que escrevi, como inspirados no blog da Angélica (mulher contrariada no link ai do lado esquerdo).

Sigo o padrão, mas deixo um espaçosinho pra criatividade, se ela resolver aparecer.

7 coisas que tenho que fazer antes de morrer:

  • Visitar a dobradinha Índia-China.
  • Aprender uma língua “diferente” como Mandarim ou Coreano.
  • Ser profissionalmente bem sucedido e ter a certeza que mudei, ao menos, um pedacinho do mundo.
  • Ter um versículo e uma parábola favoritos.
  • Constituir uma família, esposa e filhos.
  • Ler Senhor dos Anéis, na cama, para meus filhos.
  • Ser profundamente decepcionado para ter a certeza que sei perdoar.

7 coisas que eu falo muito:

  • “Deus do céu”.
  • “Super”.
  • “Merda de portela”.
  • “Cú”.
  • “Bichinha de brinquinho”.
  • “Pega e enfia no...”.
  • “Tua alma, tua palma”.

7 coisas que eu faço bem:

  • Decorar números estatísticos, principalmente os mais chatos.
  • Falar com convicção, mesmo quando não tenho certeza.
  • Perdoar qualquer um, mesmo quando o susto foi grande.
  • Aprender coisas, principalmente quando para os outros é o assunto mais chato.
  • Ajudar os outros, mesmo quando significa fazer sacrifícios.
  • Ser sociável com qualquer um, independente de classe, cor ou sexo.
  • Mudar de humor rapidamente, independente de fatos, clima ou opiniões.

7 coisas que eu não faço:

  • Desejar mal aos outros.
  • Jogar lixo no chão.
  • Usar drogas ilícitas ou cigarro.
  • Machucar alguém com consciência do fato.
  • Ir na cervejada sóbrio.
  • Tratar as pessoas com falta de educação.
  • Desrespeitar uma mulher com consciência do fato.

7 coisas que me encantam:

  • Beleza.
  • Natureza.
  • Educação.
  • Sinceridade.
  • Respeito.
  • Confiabilidade.
  • Inteligência.

Obs.: Essa foi a lista mais fácil de escrever.

7 coisas que odeio:

  • Fingir que gosto.
  • Fingir que não gosto.
  • Querer e não poder.
  • Sentir-me sozinho.
  • Não conseguir fazer alguma coisa quebrada funcionar.
  • Decepcionar os outros.
  • Não sorrir quando deveria ter sorrido. Não chorar quando deveria ter chorado. Não dizer o que deveria ser dito. Sonhar quando deveria ter realizado.

Aos navegantes blogueiros fica a minha cópia como uma sugestão.

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

ChaCha - Adivinha o que é?


Quando era adolescente, sempre que contava alguma novidade tecnológico pro meu pai, ele sempre reagia assustado “o que faltam inventar agora?”. Naqueles momentos, inchados pelo orgulho adolescente, pensava comigo como aquilo soava velho demais. Se uma coisa eu sabia, era que por mais maravilhosa que parecesse uma invenção, ela não era nada “fora da realidade”, quer dizer, respondia a um processo natural de desenvolvimento tecnológico.

A adolescência passou e hoje, com a sapiência trazida pela barba que invade meu rosto, entendo que o motivo da reação de meu pai. Ele perdeu algum elo da corrente de invenções num passado distante e muito do que foi fruto desse elo, meu pai simplesmente não consegue entender. Tudo fazia sentido, até ouvir, da minha própria boca, autônoma, as palavras malditas: “o que faltam inventar agora?”.

Não descreveria aqui, o drama melodramático que vivenciei ao perceber que eu mesmo começava a me assustar com o mundo mutante que cresce em pulsos a minha volta. Não descreverei as lágrimas, os soluços, a desilusão visceral de por um segundo perceber o lampejo melancólico da passagem do tempo em meu próprio corpo. A erosão dos anos que começava a destruir meu único templo verdadeiramente divino, a casa de minha alma. Mas não entrarei no mérito desse drama.

Só o que eu quero contar é sobre essa assombrosa nova tecnologia. Já pensaram de como seria fácil e muito mais legal se ao invés de um logaritmo googleano (aquele ou aquilo que vem do Google) fazendo uma pesquisa pra você, tivesse, uma pessoa? Já conheceram alguma ferramenta assim? Então eu tenho o prazer de - ressoam os tambores – te apresentar – tambores mais altos – o Chacha.com. Eu sei que com esse nome parece brincadeira, eu sei que com essa descrição parece brincadeira. Mas NÃO. É verdade. Finalmente estão humanizando a grande rede (irônico isso, não?). O Chacha é uma ferramenta de busca que tem especialistas 24 horas por dia, 7 dias por semana, 28 ou 29 ou 30 ou 31 dias por mês, 365 ou 366 dias por ano, 2 anos por biênio, 10 anos por década... essa história poderia ir longe...

Só resta A pergunta, “o que mais faltam inventar?”.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

O fotojornalismo e o mundo do século XXI

Há alguns anos, ouvi uma pequena história que narrava que um dia, o jornalista de uma tv local encontrou o “homem do tempo” observando o céu pela janela, minutos antes de entrar no ar. Achando aquilo engraçado, o jornalista perguntou, arqueando as sobrancelhas, o porque daquele homem olhar para o céu e não para as milhares informações que tinha disponível naquele mesmo instante. O profissional respondeu, entretanto, que “se eu dissesse que iria chover, sempre que o computador assim me diz, eu seria uma piada. Eu olho o céu todos os dias, só para ter certeza”.

Enquanto jornalistas, devemos entender a moral da estória. Quantas vezes nos convencemos de um fato, sem efetivamente observar o que estamos reportando? Se um crítico de teatro escrevesse um comentário sobre uma peça baseado somente na entrevista com o diretor, sem se importar de ver a peça, esse profissional seria despedido, afinal, a opinião do diretor não é o todo a ser considerado. Temos de ver para podermos efetivamente compreender. Mesmo assim, esse é um procedimento facilmente aceito pelos repórteres. Eles não se deslocam ao fato, e sim, entrevistam aqueles que estiveram lá. Nessa interpretação, entendemos o anacronismo vivido pelo jornalismo, principalmente o fotojornalismo, afinal, a sociedade está cada vez mais atenta e interessada em informações visuais. É uma aberração observar, portanto, que mesmo com o crescimento e melhoria do fotojornalismo, inserido numa sociedade que valoriza seu produto, esse perde cada vez mais espaço nas redações tradicionais.

Haviam poucos interessados na Internet, antes dela se tornar visual. Hoje, está ganhando cada vez mais espaço na estrutura internacional de comunicação. E isso se explica pela riqueza em imagens e gráficos. E isso nos diz alguma coisa. O jornalismo passa por um tempo precário. O público está cada vez mais ávido por sensacionalismo, entretenimento e interatividade. Mas como poderia o jornalista de aspirações éticas encontrar seu lugar? Enquanto indústria, o jornalismo começa a buscar o exemplo de outras formas de produção. Quando não há mais produtos e a demanda é forte, fabrica-se mais. No caso das notícias, entretanto, esse é o processo da especulação. Dizer o não dito baseados em fatos que deveriam ou poderiam, mas ainda não aconteceram.

A resposta ao paradigma vivido pela indústria da informação parece distorcer de sua história. Enquanto o caos social foi resolvido pela imposição de disciplinas, no exército, nas linhas de produção; o jornalismo deverá entender seu leitor dentro suas individualidades. Nesse caminho, jornalistas experientes estão migrando para a internet e buscando descobrir, por conta própria, esse caminho. Mas essa mudança é muito mais amigável para os repórteres do que para os fotojornalistas. Esses últimos estão presos do lado de fora da porta, enquanto aguardam o sensacionalismo mostrar o ar da graça. Mas sob a influência de outros profissionais nas redações, talvez os fotojornalistas pudessem usar as câmeras digitais para gerarem suas próprias especulações. Mas estamos prontos para essa “falta de ética”?

Numa época em que as notícias eram documentos, fotojornalistas viveram um período de ouro, mas agora que o objetivo da produção midiática parece centrar-se no crescente desejo por sensacionalismo, os profissionais da imagem fotografada parecem ter sido deixados de fora, literalmente.

É claro que essa desconfortável situação aplica-se aos profissionais que mantém a ética como princípio básico em seu trabalho. Afinal, poderíamos chamar de falso jornalismo, aquele que realça pontos específicos de uma linha noticiosa e ás sensacionalista. O equivalente, em texto, seria como colocar um ponto de exclamação ao fim de cada frase.

Talvez, mais uma vez, a resposta ao pesadelo seja seguir, novamente, o exemplo. Criar novos meios, abusando da criatividade, é o modelo ideal desenhado pelos usuários da internet. Talvez jamais existirá um fotógrafo que ganhará a história como em Iwo Jima, mas um profissional competente ainda pode criar um grupo de fãs se souber localizá-los no nicho certo. A fotografia, uma vez, foi chamada de nova arte. Talvez ai, repouse, uma vez mais, sua vocação.

Thiago Medeiros Ribeiro

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Folha de S. Paulo e o jornalismo econômico de efetivo – caderno dinheiro2

Thiago Medeiros Ribeiro

Esse texto análise se propõe a estender um olhar reflexivo sobre o caderno “dinheiro2” da edição de 25 de novembro de 2006, domingo. O texto que segue é um projeto irmão do trabalho: “Folha de São Paulo e o jornalismo econômico de base popular – caderno dinheiro

INTRODUÇÃO

O jornal Folha de S. Paulo é o maior jornal impresso em circulação no país. Atualmente, a impressão é dividida em 11 cadernos diários (Capa, Opinião, Brasil, Mundo Ciência, Dinheiro, Cotidiano, Esporte, Ilustrada, Acontece e Classificados), somados à outros 10 suplementos semanais (Folhateen, Fovest, Informática, Equilíbrio, Turismo, Guia Folha, Folhinha, Mais!, Revista da Folha e Classificados específicos).

Comprado em 1960 pelos empresários Octavio Frias de Oliveira e Carlos Caldeira, a Folha de S. Paulo sempre teve uma forte tendência a posicionar-se junto a estrutura de central de governo, apoiando inclusive o Golpe Militar de 1964 e mantendo seu apoio à Ditadura Militar até a ascensão do General Ernesto Geisel. Essa postura só mudou com a reestruturação vivida pelo jornal, que buscou o desvencilhamento do governo federal e o autodirecionamento. Esse processo assistiu a criação de nomes que ficariam famosos na história do jornalismo brasileiro, como Cláudio Abramo, Bóris Casoy, Clóvis Rossi e Jânio de Freitas.[1]

A Folha de S. Paulo é hoje a clara publicação da classe média brasileira, especialmente à população do sudeste. O jornal evita os extremos, pintando uma imagem nacional de progresso e a constante melhora do bem estar nacional. Mantendo uma olhar em seu público de domingo, a Folha trás notícias mais amplas, com estruturas textuais mais complexas, permitindo o entrelaçamento das diferentes matérias dentro da mesma editoria. Nesses momentos, a sensação de um jornalismo explicativo, normalmente utilizado em revistas, é grande.

Determinado o foto-público da impressão do jornal Folha de S. Paulo, observa-se que esse grupo também é altamente fragmentado. O próprio olhar sobre a estrutura familiar mostra a tradicional diferenciação de gostos e vontades do brasileiro. Uma segunda onda de diferenciação nasce nas múltiplas atividades profissionais dessa então categoria – leitor da Folha. Consciente disso, o jornal busca atender à todos, mas conservando, obviamente, a uniformidade do discurso ideológico.

DESENVOLVIMENTO

O caderno dinheiro2 da Folha de S. Paulo é a típica imagem elitista do jornalismo econômico brasileiro. Mostra-se como a tradução impecável dos principais traços desse tipo de jornalismo, como oficialismo, internacionalismo, centrismo e entreguismo.

As pautas buscam mostrar a movimentação política oficial com seu efetivo reflexo econômico. Dos títulos ao desenvolvimento das reportagens, os jargões tradicionais para esse tipo de jornalismo é corrente.

O interessante nesse caderno é a mudança de foco geográfico. Enquanto o caderno dinheiro buscava lançar uma visão nacional para a movimentação comercial e industrial, o caderno dinheiro2 é a plena defesa das metas e taxas internacionalmente necessárias para o cadastramento brasileiro no cenário planetário. O governo é moldado como o responsável em atingir essas metas, colocando o país na agenda do capitalismo internacional.

Preocupado com uma agenda mais social, o atual governo é duramente criticado através de amostragens estatísticas do DIRF, DACON e FIDC, SELIC e IPCA. Esses números, mostrados como negativos ao governo não são explicados nas reportagens e geram a sensação de que “está tudo errado”. O governo só tem espaço nas matérias enquanto fontes, através da interpretação do discurso oficial feito pelo próprio jornalista, enquanto outras fontes ligadas ao mercado financeiro têm espaço para mostrar e argumentar suas posições.

A equipe econômica é duramente criticada, como incapaz de executar o programa necessário. À elas, são feitos comentários como “acuada”, “sem inércia” e estruturas verbais irônicas. Paralelo à esse universo “negativo” do governo federal, o mercado financeiro têm seus dotes expostos em gráficos altamente positivos e variações convidativas. A sensação é que o espaço financeiro-comercial nacional, com forte influência do capital externo, é um mar de boas notícias, e o objetivo necessário das políticas de estado.

Em nenhum momento o cidadão comum é ouvido como fonte das matérias. O ideário reproduzido busca demonstrar que as grandes políticas econômicas nacionais não interferem no dia-a-dia do cidadão padrão, que não precisa, portanto, se interar ou opinar nesse processo.

CONCLUSÃO

O caderno dinheiro2 da Folha de S. Paulo é a expressão pitoresca dos anseios noticiosos da uma abastada classe média brasileira. Filhos dos movimentos internacionalistas, esses leitores querem assegurar a defesa de seus interesses e ouvem na voz dos “especialistas”, a confirmação e prova indiscutível da necessidade de fazê-lo em nome do “interesse nacional”.



[1] Wikipédia, A Enciclopédia Livre. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Folha_de_S%C3%A3o_Paulo. Extraído em 26/11/2006.

Folha de S. Paulo e o jornalismo econômico de base popular – caderno dinheiro

Thiago Medeiros Ribeiro

Esse texto análise se propõe a estender um olhar reflexivo sobre o caderno “dinheiro” da edição de 25 de novembro de 2006, domingo. O texto que segue é um projeto irmão do trabalho: “Folha de São Paulo e o jornalismo econômico efetivo – caderno dinheiro2”.

INTRODUÇÃO

O jornal Folha de S. Paulo é o maior jornal impresso em circulação no país. Atualmente, a impressão é dividida em 11 cadernos diários (Capa, Opinião, Brasil, Mundo Ciência, Dinheiro, Cotidiano, Esporte, Ilustrada, Acontece e Classificados), somados à outros 10 suplementos semanais (Folhateen, Fovest, Informática, Equilíbrio, Turismo, Guia Folha, Folhinha, Mais!, Revista da Folha e Classificados específicos).

Comprado em 1960 pelos empresários Octavio Frias de Oliveira e Carlos Caldeira, a Folha de S. Paulo sempre teve uma forte tendência a posicionar-se junto a estrutura de central de governo, apoiando inclusive o Golpe Militar de 1964 e mantendo seu apoio à Ditadura Militar até a ascensão do General Ernesto Geisel. Essa postura só mudou com a reestruturação vivida pelo jornal, que buscou o desvencilhamento do governo federal e o autodirecionamento. Esse processo assistiu a criação de nomes que ficariam famosos na história do jornalismo brasileiro, como Cláudio Abramo, Bóris Casoy, Clóvis Rossi e Jânio de Freitas.[1]

A Folha de S. Paulo é hoje a clara publicação da classe média brasileira, especialmente à população do sudeste. O jornal evita os extremos, pintando uma imagem nacional de progresso e a constante melhora do bem estar nacional. Mantendo uma olhar em seu público de domingo, a Folha trás notícias mais amplas, com estruturas textuais mais complexas, permitindo o entrelaçamento das diferentes matérias dentro da mesma editoria. Nesses momentos, a sensação de um jornalismo explicativo, normalmente utilizado em revistas, é grande.

Determinado o foto-público da impressão do jornal Folha de S. Paulo, observa-se que esse grupo também é altamente fragmentado. O próprio olhar sobre a estrutura familiar mostra a tradicional diferenciação de gostos e vontades do brasileiro. Uma segunda onda de diferenciação nasce nas múltiplas atividades profissionais dessa então categoria – leitor da Folha. Consciente disso, o jornal busca atender à todos, mas conservando, obviamente, a uniformidade do discurso ideológico.

DESENVOLVIMENTO

O caderno dinheiro da edição de domingo do jornal é a clara materialização em impressão dos anseios intelectuais do cidadão padrão da classe média nacional. A observação nasce no vislumbramento da estrutural básica da editoria: textos opinativos de colunistas e matérias firmadas no sensacionalismo comercial-econômico, abordando fraudes, roubos milionários e o dia-a-dia de grandes executivos ou mega-empresas. A exceção são as matérias que apresentam elevado interesse do leitor, como as compras de natal.

O interessante desse caderno é sua diferenciação quanto o assunto é a grande economia, como o movimento dos governos e a política empresarial brasileira. Sob a editoria dinheiro, esses temas são romanceados, citando-se os “milhões de reais” como instrumentos magníficos de um viver social idealizado. Esse “lado de lá” econômico, é como uma versão financeira de editorias como cotidiano, aonde o leitor pode viver essa realidade conhecendo-a um pouco melhor.

Essa colocação, apesar de romanceada, não foge aos tradicionais traços do jornalismo econômico brasileiro como o oficialismo. Entretanto, o caráter nacionalista das notícias ainda é marcante, como mostram os exemplos:

Marca brasileira entra na Sakes e no Corte Inglês – Com um padrão que busca aliar tecnologia, funcionalidade e conforto, a marca de lingerie Liz acaba de entrar em duas grandes redes de lojas de departamento no exterior. A primeira delas foi conquistada em outubro deste ano, a Saks Fith Avenue, dos EUA. A segunda é a espanhola El Corte Inglês, que deve ser “invadida” pelos produtos brasileiros em janeiro do ano que vem”.

“A Associação Normandia Street Shopping investiu R$ 200 mil no Natal da rua Normandia, em Moema (região sul de São Paulo), e estima um aumento de 50% nas vendas das lojas. A expectativa é que mais de 300 mil pessoas passem no local até o dia 6 de janeiro”.[2]

O grosso das pautas é, entretanto, o sensacionalismo policial que envolvem as empresas como: “Grandes marcas são acusadas pela PF de fraudar importação”, “Empresas negam ter cometido fraudes” e “Comércio ilegal ganha fôlego com Natal”.

Novamente o traço principal dessa categoria de jornalismo é marcante, e nessas notícias encontra-se novamente o oficialismo, dessa vez aliado ao entreguismo e internacionalismo. Na reportagem “Empresas negam ter cometido fraudes”, por exemplo, apesar das investigações encontrarem-se bem avançadas, o jornal Folha de S. Paulo sai em defesa das grandes empresas internacionais e dedica 85% do espaço reservado à notícia a auto-defesa dessas empresas, reproduzindo, integralmente, a carta oficial de defesa dessas companhias. O oficialismo supracitado como caracterizador da matéria é o exclusivo espaço de 15% destinado ao parecer oficial da Polícia Federal.

O caderno dinheiro da Folha de S. Paulo é ainda marcado pelos espaços de opinião de seus colunistas. Esse tipo de redação é determinante na formação de opinião do leitor, que muitas vezes, quer ouvir a explicação e explanação do “especialista”. Obviamente, essas opiniões traduzem a vontade ideológica do jornal, defendendo a agenda neoliberal do setor industrial e comercial brasileiro. Essa agenda neoliberal traduz-se também na necessidade de defesa do interesse do capital financeiro internacional e seus objetivos políticos-ideológicos para o estado brasileiro.

CONCLUSÃO

Conclui-se, portanto, que esse caderno é na verdade uma publicação degradada do tradicional jornalismo econômico, mesmo o observado nos jornais brasileiros. Essa “inovação” da Folha de S. Paulo busca criar um espaço acessível ao leitor comum, incapacitado de decodificar o “economês” do caderno dinheiro2, mas ansioso pela oportunidade de acompanhar os “principais” fatos da agenda política-econômica do governo.



[1] Wikipédia, A Enciclopédia Livre. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Folha_de_S%C3%A3o_Paulo. Extraído em 26/11/2006.

[2] Folha de S. Paulo, domingo, 26 de novembro de 2006.

Dilbert

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Um estranho na Academia


Primeiro dia de academia. Odiei.

Lugar tenso. Se no mundo todo dizem que não devemos nos preocupar com a aparência física, mas sim o interior... na academia não foi ouvido.

Ouvi, sorrateiramente, dois amigos conversando, enquanto meu “instrutor” galanteava uma moça, estava em seu terreiro – acredito. Mas voltando aos sussurros: “claro que eu me preocupo mais com a roupa de vir aqui do que pra sair a noite. As pessoas aqui estão o tempo todo olhando...” (com mais erro de português, é claro – se a fuga vergonhoso para o comentário preconceituoso ainda me é permitido).

Verdade ou não, uma coisa é certa: eles estão olhando.

Encostado numa parede, vi um “bombado” passar e me observar desdenhosamente por alguns instantes. Observei seus olhos encontrarem minha barriga e o sorriso no canto da boca surgir quase que instantaneamente; não dura uma semana, acredito que foi o que pensou. Após perceber a gafe (hehehehe) continuou andando e dali há alguns segundos, ao encontrar um dos mil espelhos, assistiu o movimento autônomo de seus braços e tórax, contraindo-se em arrogância e pedantismo. Não falei nada. Falar o que?

Mesmo se me dissessem, “não se preocupe, não tem ninguém preocupado com você” – MENTIRA. Se não olhos, dezenas de espelhos espalham-se por todas as paredes em todos os cômodos. Na melhor das hipóteses meu EU maligno me observa suar em vergonha o simples estar ali. Desumano.

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Mundos perfeitos

As pessoas sabem quando estão fazendo algo errado, ou melhor, algo que não deveriam estar fazendo. Errado, dizemos, quando somos os afetados, as inocentes vítimas do vilão nessa história em particular.

Um amigo meu sempre me contou sobre sua dificuldade em acordar todos os dias de manhã. Não necessariamente acordar, mas levantar-se da cama depois que o despertador já fez seu odioso trabalho (a propósito, quem foi o infeliz a inventar o despertador? Mas esse é um tema para outro post, em outro blog, é claro). E nesses minutos, que se estendem por horas, entre o acordar e levantar, ele sabe o que deve fazer, sabe que sua única função é erguer-se e começar o dia como uma pessoa decente. Mas por que fazê-lo ele pergunta? Por que levantar agora quando eu ainda tenho que salvar todos aqueles doentes ou ainda, pensar na sugestão para o próximo filme de David Richard Ellis.

E como acontece com ele, acontece com a maioria de nós, quero dizer, sabemos que estamos fazendo algo errado, mas nos dizemos isso o tempo todo. Ao contrário, criamos desculpas, imaginamos um mundo onde nossos erros se justificam e nesse momento, treinamos para um interrogatório imaginário, respondendo a perguntas absurdas, com respostas estúpidas.

Para que tudo isso? Já pararam pra pensar que fazemos isso até mesmo quando nosso erro vai, provavelmente, ficar eternamente guardado como um segredo. Imaginamos respostas para o caso de alguém vir a descobrir aquilo, mas já nesse momento sabemos que não podemos usar o tipo de argumentação que planejamos.

Mas retomo a pergunta: por que? Acho que a resposta é simples. Para a maioria das coisas que julgam moralmente errado ou eticamente inapropriado, nós não concordamos efetivamente, aceitamos o discurso e repassamos como foi feito por anos antes de nós. Isso, claro, para nos poupar o trabalho do ser o “do contra”, ou o “revoltado”. Mas temos plena consciência de uma voz que diz, “tudo bem, não é errado...”. E essa voz é o suficiente para nos convencer no âmbito da intimidade, mas não o necessário para manter a imagem perante os outros que tanto zelamos. Por isso, acredito, criamos os interrogatórios, para o caso de sermos pegos.

Deixo claro, entretanto, que não acho que meu próprio amigo vá esconder da sociedade seu pequeno probleminha de acordar tarde. Ainda não sou assim tão dramático. Mas é esse lidar com o erro e o errado que gera essas emoções tão engraçadas e de uma forma irônica, enigmáticas.

Sabemos que estamos errando, mas para esses momentos, podemos sempre nos esconder em nosso mundinho perfeito.

terça-feira, dezembro 12, 2006

Transparência


Tem alguma coisa errada!

Vamos devagar, primeiro uma boa notícia. A Controladoria Geral da União acaba de disponibilizar na internet, o acesso gratuito e livre ao Siafi (Sistema Integrado de Administração Financeira). Isso quer dizer, na prática, que qualquer usuário poderá acessar os valores correspondentes aos gastos do governo nos anos de 2004, 2005 e 2006.

O site para acessar esses valores e entender, onde o governo gastou os 2,34 trilhões de reais do orçamento da união é: http://www.portaltransparencia.gov.br sob o link “Aplicações Diretas”.

Dando uma olhada rápida sobre essa ferramenta, pude observar algo com certeza chamaria a atenção de vocês. Sob o item “Principal Corrigido da Dívida Mobiliária Refinanciado”, que quer dizer nas palavras do próprio site, “Despesa Amortização e Juros da Dívida - Principal Corrigido da Dívida Mobiliária Refinanciado”, o governo gastou R$ 309.006.270.356,86 ou melhor metade dos seus exatos R$ 778.520.458.773,02.

Não farei nenhum comentário, mesmo porque o tópico é auto explicativo. Mas fica ai a sugestão para entrarem e darem uma olhada no site.

quarta-feira, dezembro 06, 2006

O homem santo


Um dia ele simplesmente ajoelhou em frente à igreja e rezou.

Rezou por seus pais, irmãos e pelos filhos que viram. Rezou pelos amigos e num instante dizia em voz baixa o nome de todos aqueles que um dia cruzou sua vida. E rezou por eles também.

Veio a primeira noite, o segundo dia. O sol levantava-se e punha-se enquanto sua única preocupação era não esquecer de ninguém que merecesse suas preces.

Antes do fim da primeira semana, o homem chamou a atenção da cidade. Muitos vinham para zombar, enquanto outros tentavam acompanhá-lo por algumas horas, antes de lembram-se de assistir ao capítulo da novela.

A primeira chuva caiu sobre a cidade com a força da uma provação divina. E ele passou.

Vendo-o atormentado pela chuva e sol que se seguiram em meses, a família e alguns amigos tentaram tirá-lo dali. Mas uma força misteriosa os afastava mesmo antes de tocarem no homem em vigília. Depois de duas comemorações do nascimento de cristo, o homem ainda era visto encurvado sobre o corpo, balançando a cabeça em movimentos retos como a de um pêndulo num balançar eterno.

A fama da reza espalhou-se no cerrado e muitos vieram vê-lo. Quando começaram a pedir-lhe graças, chamavam-no de santo. O nome pegou. Dali em diante a cidade teria um santo vivo. A prefeitura declarou festas em sua homenagem, o povo lhe dedicava romarias.

Mas o santo tinha como única preocupação rezar por aqueles que precisavam. Há muito já não mais sentia o próprio existir. O sol já lhe esquentava como a chuva não incomodava. Apesar das roupas envelhecidas e da pele suja pelos anos, um cheiro doce emanava de seu corpo. Não que percebesse. Mas o povo sentira.

Muitas descendências de animais correram até que um dia a precisão não o encontrou mais na igreja. Os mais aventurados ousaram dizer que havia subido em carne aos céus, prova do prodigioso dom dos homens santos. Mas estupefatos, tiveram de assumir o erro ao vê-lo caminhar novamente entre os homens. E apesar dos anos que se ele passou encurvado sobre o próprio corpo, nunca estivera tão altivo. Um olhar reinante que assustava os indecisos e acalmava os fiéis.

Aos poucos, a fama de santo se fez verdadeira, e muitos vieram pedir-lhe ajuda e conselhos. Mas foi quando o primeiro cedo voltou a enxergar e o primeiro leproso a caminhar, que a fama do homem de deus se espalhou pelas terras do condado.

Doentes e moribundos vinham de longe para serem vistos pelo santo e assim, como mágica, curados.

continua...

Sobre vida e morte


Nunca gostei daqueles mosquitinhos de banheiro. Eles são tão bobos.

Vocês já pararam pra pensar porque existem tanto deles? Você já tentou matar a todos e no dia seguinte descobriu que haviam mais, e mesmo após esse segundo extermínio, no próximo dia era como se eles estivessem todos ali de volta, reclamando uma vingança. Pois eu descobri de onde eles vêem, do ralo do banheiro. Mas não daquele debaixo do chuveiro (eles não sabem nadar), mas daquele outro, normalmente perto da privada.

Sem o mínimo apego e consternado pelo nojo daquelas patas que passaram pelos esgotos até chegar ali e pousar na minha toalha limpa, eu promovia diariamente um genocídio de mosquitinhos de banheiro.

Lembro que adorava prendê-los nas tampinhas descartáveis dos barbeadores do meu pai, só para ter ali, o poder supremo sobre a vida daquele ser tão execrável.

E nesses momentos eu parava por um instante e observava o que tinha em mãos. O controle sobre a vida e, portanto, sobre a morte deles. E um controle como esse, trás alguma responsabilidade.

Incentivado pela força criativa da água que escorria entre meus cabelos, eu parava, as vezes, para pensar como seria ter a escolha sobre a vida humana. Já imaginaram, uma legião de seres aparentemente semelhantes a você, mas submetido pelo seu poder esmagador e inabalável?

Ainda bem que não são muitos que têm esse tipo de poder. Acho até que a justiça nasceu justamente para impedir esse tipo de arbitrariedade.

A morte, para nosso senso de justiça, é a pior coisa ou a maior condenação que alguém pode sofrer, e não deve, portanto, ser decretada ou ordenada levianamente. A vida humana seria portanto um invólucro inquebrável. E cada ser é uma manifestação única desse direito.

Mas se a vida é assim tão preciosa, se mesmo os piores assassinos merecem um julgamento “justo” antes de terem suas vidas condenadas à morte; por que esse mesmo senso de justiça não pode ser estendido a um embrião? Por que uma sociedade que busca a justiça, não permite um que o acuso de viver (embrião) possa ter um julgamento? Como condenar alguém que não pode se quer se defender?!

Talvez argumentem, baseados na verdade da ciência, que aquele embrião não é, ainda, uma vida. Sua morte não significa perder um ser humano, mas sim dilacerar um incômodo apêndice daquela mulher que cometera o pecado da gravidez.

Mesmo que a ciência tenha suas fórmulas e números para prová-lo assim, a matemática também tem seus argumentos para mostrá-lo diferente. Naquela pequena bola celular está contida a expressão mágica da vida que irá, consecutivamente, executar os protocolos de crescimento, resultando no então cientificamente aprovado e socialmente aceitável ser humano. É como jogar uma bola de ferro para cima. Não é necessário vê-la cair para ter certeza que em alguns segundos ela encontrará o chão.

Outros falam ainda que a morte é melhor que a vida de privações e sofrimentos que aguarda, (ansiosamente acrescentariam), a vida daquela criança pobre, filha de pais pobres e neta de outros em situação semelhante. Mas quem somos nós para julgarmos?

E se mesmo assim o seja, a morte é ainda a melhor condenação para o pecado de querer nascer?

Uma sociedade movida pelo egoísmo enquanto sopra em hipocrisia as cornetas do altruísmo só pode mesmo é tomar medidas paliativas. Condene, esqueça, desligue-se, morra. Palavras tão duras aos ouvidos e tão comuns no dia-a-dia podre na existência cidadã.

Antes de agirmos de forma tão grosseira, deveríamos primeiro erguer as mãos e braços, trabalhando para que a criança seja recepcionada num mundo um pouco melhor.

Se me perguntarem o que eu penso sobre o aborto? Diria que trabalharia cada instante de minha vida, dedicaria cada segundo de existência antes de carregar comigo e para a eternidade a responsabilidade sobre a morte.

sexta-feira, novembro 17, 2006

Devaneio presunçoso 5


Homem aí do lado.
Continuação.

De olhos ainda fixos, suspirou enquanto virava o rosto, pela primeira vez, para fintar os passageiros do trem.

Daquele grupo não reconheceu nada excepcional. Uma mulher com uma criança e algumas sacolas, um velho de olhar baixo e um estranho moço que galanteava uma menina de saia, bem mais nova. Ao ver o quadro, assim tão pitoresco, murmurou em nojo da simplicidade provinciana de onde vinha.

Não eram pessoas, imaginou. São só atores sem sequer o valor de reconhecerem que estão no palco. Aquele pensamento tirou-lhe a atenção dos olhos que arquearam em sonhos.

Na cidade grande não haveria de ser assim. Encontraria milhares de pessoas, de diferentes tipos e cores. Conversaria com outros sonhadores e aprenderia sobre o mundo. Sempre imaginou um universo maior que o caminha de casa à mercearia. E na cidade grande, com certeza, vislumbraria esse cosmo infinito que era, agora, só um desejo instintivo.

O trem tomou-lhe poucas horas no caminho até São Paulo. A cidade borbulhava com o esplendido crescimento urbano dos últimos anos. Uma elite agrária migrava para as ruas da capital do estado e exigiam confortos em concreto e aço. As ruas cresciam na velocidade de um esguio de cobra e desse animal, aprendiam as formas.

A estação central pareceu-lhe o centro do mundo. Centenas de pessoas se concentravam entre aquelas imensas paredes, altas como os templos no céu. Olhou em volta, estava perdido. Livre. Sem saber ao certo o que fazer, caminhou sozinho por horas. Era impossível ver qualquer um dedicar-lhe minutos sequer de atenção, mas para ele, era como se estivesse ao lado de todos. Comprazia com a companhia do universo social que se estendia em milhares de léguas a sua volta.

quarta-feira, novembro 08, 2006

segunda-feira, novembro 06, 2006

Uma história de antigamente

Tava lá eu papeando com um compadre sobre a morte da bezerra, mirando os costumes da vida em fatos e fotos animados nos papéis furados. Dali, apeamos pra cantina, no modo de encher a matula e tapear a gastura do dia. Os entrantes e os conformes foram simples, carne e farinha, mas bicho do mato só cheira e come. Abastecido o corpo, era hora de lavar a alma, e tomamos a casa como rumo.

Não se deram 6 passos de homem alto, quando vi ali, tamanha formosura. Um pitéu de alumiar esse pedaço de mundo, com a força do brilho de um sol, que afugenta a lua e esquenta a terra. E reparando nos arredores, vislumbrei que até as árvores arqueavam, em comprimento garboso, esquecido dos tempos de mais decência.

Calado um mineiro não vive, aprumei as esporas e firmei as vistas na moça. Balançando que nem vara verde, não haveria muringa d’água pra me acalmar os nervos. Pra baixar as orelhas, só gamela de água fria como o sereno da madrugada. Eu, com fala de tuada forte, mingüei as palavras que era pra não parecer abobado. A resposta veio em forma de sorriso melindroso que me encheu o peito descompassado.

Mas sem os trejeitos nos conformes, não consegui dizer nem em prosa ou verso o que queria: que nem contadas 1000 léguas de raio desses pés de rodar o mundo, não haveria homem pra te querer e bem dizer, como esse servo do Senhor que agora te encara num peito aberto.

Dito pelo não dito, ficou pro rosário seguinte a farra do boi. Mas é conhecido entre todo bom sabido, que o caminho dos sentimentos tem nas porteiras umas tramelas fortes, não sendo, portanto, coisa de papel passado assim preto no branco.

E nesse vai e vem de música na viola, vou apertando os jeitos e segurando os beiços. Porque na verdade, nem canto de sabiá me tira os olhos da lembrança donairosa de um brilho de estrela em corpo de menina, que naquele jeito inocente, como córrego d'água, segurou até minha alma, pedaço na terra da força de meu Deus.

quarta-feira, novembro 01, 2006

OAXACA

O que a mídia mundial não quer mostrar. O vídeo mostra uma reportagem sobre a invasão da cidade de Oaxaca pelas tropas federais mexicanas. O conflito é resultado da não-resolvida disputa eleitoral daquele país.

Fotos e fatos.


A individualidade do momento. A responsabilidade única da vida.


Mas como viver só?

A beleza como não deveria ser. Artificial, inútil.


O peso de cada passo. A responsabilidade de viver.



Um olhar sobre a vida. Uma vislumbre do passado.


segunda-feira, outubro 30, 2006

Sobre bichos, os homens

Outro dia, um sujeito oculto levantou uma breve discussão sobre o universo feminino. Atrás da voz que se elevou, vários comentários buscaram entender e na maioria das vezes, explicar, uma pequena faceta do assunto suscitado.

Nunca pensei que um dia viria a público para tentar explicar o que eu acho dessa intricada estrutura de relacionamento sexual (no sentido entre sexos, não de sexo). Mas diante de alguns comentários do momento supracitado, acredito que posso, em todo caso, esconder-me atrás da já tradicional ignorância masculina sobre o assunto (situação bem irônica, visto que somos os mais interessados).

No rastro do comentário que fiz na oportunidade, começo pelo básico. Apesar de já bem vinculado, o termo “mulheres” não diz respeito a uma entidade suprema que rege o comportamento de todos aqueles seres sob a deliciosa constituição de mulher. Digo com isso, que existem mulheres e mulheres cujo agir e fazer mudam conforme suas próprias experiências culturais. Então, antes de perguntar “como entender as mulheres?”, devemos lembrar do “que mulher?”.

Variadas como as estrelas do céu (de cujo exemplo pegam emprestado não só os números, como também a beleza), cada mulher exigirá uma estrutura de ação-reação diferenciada. Algumas adorarão receber flores, outras acharão piegas. Umas tantas querem um homem que ligue, sinta ciúmes e diga o tempo toda que as amam, outras preferirão um relacionamento mais aberto, moderno. E entre os 8 e 80 haverão todas aquelas mais amenas.

Essa é uma simples questão de individualidade. Mas como o homem deverá encarar essa relação, observando seus óbvios e claros defeitos?

Antes de entrar no delicado tema, temos que entender uma simples regra não-universal feminina: a contra-partida.

Cuecas de plantão, vocês acham que ser bonita, inteligente, educada, cheirosa, bem vestida e tantas outras qualidades que nem iremos citar, é fácil? São horas no cabeleireiro, semanas de dieta e anos de preparação somados ao natural dom herdado. Depois de todo esse trabalho, o mínimo que elas podem fazer, é exigir uma contra-partida. Não acham? Se disserem não, continuem fazendo o péssimo trabalho e mantendo-se fora da “competição”. Mas se disseram sim, esse é o primeiro passo. Depois de se embelezarem e tornarem-se assim, tão maravilhosas, as mulheres querem que os homens também façam a sua parte no trabalho. Algumas preferirão corpos sarados, outras não trocariam nenhum homem por aquele que a faz sorrir; outras tantas querem um companheiro inteligente; novamente uma questão de individualidade.

É por isso que acho tão engraçado quando perguntam: “eu sou feio, burro, sem graça e tenho sérios problemas de higiene pessoal, mas comprei uma rosa pra ela e ela não me quis; por quê?”. Aquele que pergunta isso, deve antes se perguntar: “depois de uma vida toda de trabalho, ela vai mesmo se entregar por desgraçados 2 reais de uma rosa?”. CLARO QUE NÃO!

Agora, depois de explicada a regra da contra-partida, podemos voltar ao papel do homem nessa história toda. E pra todo homem, essa é uma questão bem clara. Somos os maiores interessados.

Então, se você realmente quer ficar ao lado daquela menina linda, de jeito apaixonantemente engraçado que adora filmes preto e branco, você terá de lutar por ela. Entenda-a e ofereça não uma rosa ou mesmo um buquê, seja diferente. Dê a oportunidade para que ela goste de você.

Seja apaixonante.

quinta-feira, outubro 26, 2006

Vida eterna


Eu sei que esse parece mais um daqueles textos "meus"; chatos, desinteressantes e coisa de nerd.
Mas eu realmente acho que vale a pena uma lida rápida. Não será nenhum assunto de mesa de bar, mas pode te tomar alguns segundos quando não tiver nada mais para pensar.
Um comentário pessoal segue após o texto.
Sem mais delongas:

Vida eterna?

A ciência acaba de decifrar um mecanismo de ressuscitação que é um marco científico extraordinário. O autor deste achado é o biólogo franco-croata Miroslav Radman, de 62 anos, que conseguiu descobrir o processo de ressurreição de uma bactéria, Deinococcus, que mesmo depois de morta é capaz de voltar à vida em poucas horas.


Essa assombrosa capacidade permite lhe resistir em condições extremas e até sobreviver a um nível de radiação mortal para 5000 homens. Depois desse tratamento, que estoura seus cromossomos em centenas de fragmentos, a bactéria é capaz de reparar seu código genético para voltar à vida.

O achado abre perspectivas tão interessantes para a ciência que a revista Nature dedicou um grande espaço à descoberta de Radman e sua equipe de quatro cientistas da Unidade 571 do Instituto Nacional da Saúde e de Investigação Médica, da França.

Esse interesse é explicado pelas possibilidades que abre à medicina regenerativa. Para o cientista este é o primeiro passo no terreno da reconstituição neuronal e cardíaca. E a partir daí tudo seria possível, até a vida eterna.

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O quadro que ilustra esse post é chamado "A eternidade das pedras". E é justamente esse o pensamento base que me inunda quando penso na vida eterna. Como seriam nossas vidas?
Viveríamos eternamente como bucólicos observadores do borbulhante mundo a nossa volta, ou teríamos energia para queimar nossa vida do sempre a cada segundo?
Falar de possibilidades é fazer perguntas, é recorrer ao "se" e ao "como". Mas imaginar o futuro é também jogar o manto do entendimento sobre o presente.
Se (olha ele aí de novo) nessa vida de meras dezenas de anos deixamos de fazer muito daquilo que gostaríamos, porquê faríamos diferentes se estendessemos esse vivência para algumas centenas de anos?
Se não somos capazes de nos realizar a cada dia, com certeza não o seríamos na eternidade.
Acho que a vida eterna deve estar em cada dia, em cada suspiro, em cada telefonema ou abraço.
O sentido da eternidade, a realização através dos tempos, não precisa ser contado em anos. Basta que a cada segundo estejamos felizes se pudéssemos repêti-lo. Mas não para reviver a vida a todo momento, mas para termos certezas que estamos "no caminho certo".
Afinal, nem mesmo agraciado pela eternidade, ninguém gostaria de viver, efetivamente, como uma pedra.

quarta-feira, outubro 18, 2006

Para entender

Encontrei um texto meu antigo, escondido numa pasta do computador.

O texto não é muito bom, mas me traz uma tristeza saudosista que não podia deixar de compartilhar com vocês...

COMO ENTENDER...

Diante a igreja fez o Sinal da Santa Cruz, religiosidade esquecida mas ainda presente, e continuou caminhando. Uma brisa fria, muito úmida levantou seus cabelos, obrigando-o a levantar uma das mãos para arrumá-lo. O destino era desconhecido, mas sabia o que queria encontrar.

Andou até um beco escuro, sem coragem para prosseguir retornou, seu objetivo não morava em lugar algum, talvez não fosse ali que encontraria-se. Voltando pela mesma praça da igreja, novamente o vento soprou mais forte, dessa vez, pegando-o de lado e carregando consigo algumas folhas secas. Alguns que o observaram nesse momento se assustaram um pouco, mas nada que chamasse a atenção em demasiado.

Olhos perdidos, não focalizava nada, era como se o globo ocular procurasse insistentemente, mas incapaz de encontrar, perdia-se nas mil cores das ruas. Num outdoor percebeu uma garota bonita, mas precisava de diálogo, nem que fosse numa troca de olhares. E nesse sentido encarou algumas pessoas, principalmente mulheres, mas nenhuma que lhe desse atenção especial. Diante sua casa hesitou em entrar. Uma mão sobre a maçaneta do portão, a outra direcionava a chave contra a fechadura, mas aquele ainda não era o momento, tinha que retornar para a rua.

Dessa vez estava perdido, nem mesmo ele seria capaz de explicar em que ou quem pensava, não se concentrava em nada, só caminhava. Andando em círculos sabia que era incapaz de melhorar sua situação, andaria em linha reta, mesmo que isso implicasse em enfrentar becos escuros, mas a cada passo estaria disposto a viver novas situações.

Em frente a uma estátua, uma personalidade municipal, delirou imaginando como se lembrariam dele, provavelmente não construiriam estatuas, mas haveria saudades depois da sua partida? Um sorriso de canto de boca e resolveu pensar em outras coisas, talvez algo mais feliz. --- Será que muitos iriam ao meu enterro? --- Acho que não. Pensando sozinho procurou dar uma meta racional para sua situação, impossível, era incapaz de dizer o que queria, mas continuaria procurando.

Uma dor forte no peito, no lado do coração. Nada para se preocupar.

Lembrou sozinho dos momentos felizes que teve ao lado de sua irmã. Brincadeiras na rua, jogos no parque, brigas e reconciliações, tudo era tão perfeito, pena que não dura para sempre. Lembrou, também, de como era amado pelos pais, uma mãe carinhosa, um pai presente, muito do que tinha ficado para trás merecia ser lembrado. Mas o que não seria?

Um dia brigara com seu melhor amigo, mas agora, recordando do momento sabe que foi uma bobera, erro ainda maior foi ser consumido pelo orgulho e jamais ter tentado corrigir. Mas o amigo já tinha morrido e apesar de ter passado o tempo para isso, resolveu perdoá-lo e com tamanha facilidade se perdoou também.

Outra dor no peito. Deve ser o frio da noite.

Tantos momentos poderiam ter sido muito mais felizes, se soubesse, como hoje sabe, a melhor forma de usufruí-los. Mas não se sente culpado, os risos, choros, brigas, encontros, haviam valido a pena e sua simples recordação já lhe deixavam felizes.

E o que havia de concreto hoje, não sua vida? Se perguntou e parou para tentar responder. Amigos tão fiéis quanto pudesse querer, uma namorada tão bonita quanto pudesse sonhar, uma vida tão perfeita quanto pode esperar. Mas naquela noite, algo estava diferente, e se arrepiou, com o frio que acompanhou o mistério que ele parecia desvendar.

Olhou para os lados e não enxergou ninguém.

Nova dor no peito.

Agora precisava de ajuda. Num pensamento racional talvez tivesse gritado, mas ali, sabia que estava acima de tudo isso, e não se preocupou. Uma árvore grande a sua esquerda, sentou, encostou e fechou os olhos. Respiração profunda, sonho inquieto.

Abriu os olhos e não estava mais debaixo da árvore.

Um antigo amigo ofereceu-lhe a mão. Ele aceitou a ajuda e se levantou.

Finalmente entendera tudo.

terça-feira, outubro 10, 2006

Ursinhos de pelúcia

Nossa, foi um bom tempo sem atualizar o blog. Mas agora, de volta a Viçosa, vou tentar manter a peridiocidade tradicional, quero dizer, a total falta de peridiocidade.

Apesar de já estar de volta ao trabalho e às atividades acadêmicas tradicionais (festas e bebidas) [quem deras eu fosse assim tão “descolado”] ainda me sinto no clima de férias. Impossibilitado, portanto, de assumir novamente o discurso metafilosófico desse blog, continuarei com os texto mais tranqüilos, seguindo, como já citado, recomendações de amigos.

O tema de hoje é ursinho de pelúcia.

Quem nunca teve um ursinho de pelúcia? Acho que todos já tiveram. Até mesmo Samurais já tiveram. Na verdade, até mesmo Chuck Norris já teve um, mas claro, o dele tinha uma pequena diferença. Quando se apertava o botão vermelho em um dos braços, ele não dizia “I love you” ou nenhuma dessas bobagens. Ele na verdade iniciava um programa de autodestruição que culminaria num roundhouse kick e a conseqüente destruição do planeta terra.

Sendo tão populares, não era de se esperar que esses animais tão fofinhos e carinhosos quisessem conquistar o mundo...

Tudo começou na manhã do primeiro dia do ano da graça de nosso senhor de 1602. Num navio que zarpava para recém descoberta América, um grupo de ursinhos de pelúcia se infiltraram entre religiosos descontentes com o poder real inglês e se embrenharam na luta pela vida nas terras além mar.

As principais famílias daquelas criaturas tão adoráveis se instalaram na costa leste daquele que seria chamado no futuro de Estados Unidos. Outros proeminentes nomes da sociedade “de pelúcia”, entretanto, aventuraram-se na busca pelo oeste. Naquele região enfrentaram, porém, a guerra contras os povos dos cavalinhos de pelúcia, bravos lutadores de peles vermelhas.

Mas a supremacia da tecnologia vigorou nas termas ermas e a sociedade dos ursinhos cresceu vigorosa. O primeiro passo foi a construção de estradas, possibilitando o rápido deslocamento das tropas imperiais em todo o território; vantagem que assegurou o poder unificado do território. A força perdeu espaço para o comercio, e importantes rotas marítimas foram estabelecidas, destacando-se a Companhia das Índias Orientais, principal fornecedora de pelúcia, importante matéria-prima na sociedade dos ursinhos de pelúcia.

A vigorosa movimentação financeira trazida pelo comercio era assegurada pela marinha de guerra, instrumento importante para proteger a unidade territorial livre de invasões, ameaçada pela crescente influência dos lobos de cachos dourados de pelúcia, ou vikings. Livre do perigo, a prática da usura se desenvolveu bem, garantindo lucros para uma parcela significativa da sociedade, os ursinhos de pelúcia de cachinhos engraçados, ou judeus.

Uma população em expansão exigiu técnicas de produção de pelúcia cada vez mais eficientes. Em um berço financeiro condizente com as necessidades, explodia a revolução industrial dos ursinhos de pelúcia.

Daí pra frente, todo mundo sabe a história...

Mas a grande verdade sobre os ursinhos de pelúcia?:

... até mesmo samurais têm ursinhos de pelúcia. E até mesmo os ursinhos de pelúcia são, as vezes, pegos bêbados.